domingo, 13 de maio de 2012

Minha mãe menininha

*Publicado no Jornal Diário da Manhã em 13 de maio, 2012
Complicado está sendo chegar aqui e não expor as maravilhas da minha mãe. Por menos que ela goste da exposição de sua figura. Sinto um desejo imenso de contar para todo mundo, o como a amo. Tenho certo pudor de dizer a ela Feliz Dia das Mães, pois sei que ela pode me dizer de novo: “– Feliz para você que tem a sua mãe!”. Ela é muito engraçada. E direta. Ia diariamente à casa de vovó. Mamãe não comemora a noite de Natal e de Ano-Novo. Ela reza. No outro dia, faz almoço. Mamãe reza muito. Tem seus horários, no dia. Todos os dias. Sempre foi assim. Minha mãe é colorida e brilha, como a do menininho da propaganda da TV. Entremeando seus fios de prata, estão seus cabelos de fogo. E ela me ensinou que Dia das Mães é todo dia. Sabendo disto, já deixei de presenteá-la, algumas vezes. Normal. Outro dia um colega contou, no elevador, que tinha ido almoçar na casa da mãe e claro, gabou a comilança. Fiquei pensando na minha. Naquele dia mesmo, mamãe me mandara o almoço. Manda lanche, jantar, sobremesas, presentes. Cabides, com as roupas que vão, para passar lá. Estou muito chateada comigo, pois não tenho ido a casa dela. Até hoje minha mãe me cuida. E do papai, de minha irmã, da casa dela. Só tem ajudante para a passação da roupa. É muito exigente. Ainda bem que conseguiu excelente marido. É muito amorosa. Casou-se muito cedo, aos quinze anos. Desde os oito, convivia com meu pai, em Jaraguá, pois são primos. Meu pai queria se casar com a mãe dela, mas ele tinha só três anos, quando vovó se casou e ela lhe prometeu uma filha, para que ele parasse de chorar, na porta da igreja. Mamãe fazia as tarefas escolares de uma amiga dela e esta amiga, arrumava a cozinha do almoço, para mamãe. A amiga hoje é médica. Mamãe, como sempre, dona-de-casa. Mamãe dá notícia de quase tudo. Lê muito e de tudo. É muito espiritualizada e sua casa tem um ar de alento, sua presença é fresca, harmoniosa. Gosta de escrever e tem uma sensibilidade incrível. Saca tudo da História de Goiás, conta casos incríveis. Da nossa família, sabe tudo. Os sensos ético e estético são apurados. Viveu um tempo com o padrinho, que fora juiz, delegado e seu mestre; estudou em colégio de freira. Talvez daí certa rigidez que se abrandou, com o tempo. Ás vezes, fala muito ou emburra. Mas nunca me condenou. Conheci minha mãe, ela usava micro saia. Foi a primeira mulher a usar maiô de duas peças, em Uruana. Mamãe faz o melhor bife com fritas do mundo. O melhor arroz, as melhores saladas, as melhores comidas e sobremesas e surpresas. Sempre fez. E tem o melhor cafuné, a melhor massagem. A voz mais doce. Ela é macia, “divina e graciosa”. Lembro-me dela com cabeleiras vermelhas e cacheadas, quando fez permanente. Lembro-me dela nos eventos da Maçonaria, com lencinho no pescoço, nas aulas de corte e costura e culinária, nos nossos aniversários, em instituições, nas nossas viagens e passeios e nas igrejas. É incrível como arruma rapidinho uma roupa, faz uns bordados lindos, é muito caprichosa. Uma colega dos tempos de Santa Clara comentou que quando éramos crianças ela se encantava com o jeito como eu ia arrumadinha, engomadinha, para a escola. Lembro-me de mamis em festas. Sorria muito mais, a mamãe. Contava muita piada, sempre foi meio “riguilida”, como diz. É altamente sociável. E sincera. Não é dada a obrigações, mas é cheia de considerações. E cheia de excelentes amizades. Penso nela menininha. Vermelha, encrenqueira. Sempre muito linda. Trabalhadeira. Sempre cheia de vontades. E de fé. Mamãe dava beliscões, puxões de orelha. Tapas. Cortava o uso do telefone, a televisão sempre foi controlada, as amizades também, toda a rotina. Mas a gente nem notava, só tentava obedecer. Vez em quando jogava coisas, dava na gente com um cinto que papai trouxe de Xavantina. Ô cinto dolorido, trançado... Coisa de índios. E até hoje, dependendo da conversa, não posso entrar no meio... Certa vez. ela passou doce de leite na cara da minha irmã, pois tínhamos tomado lombrigueiro e a mana deixou a marca do dedo no doce da geladeira... E uma vez me despejou na cabeça, calmamente, uma lata do açúcar refinado, onde eu colocara sal, sem querer, por cima. Costumo dizer que minha mãe me ensina a respeitar as mulheres. Que vida de mulher é difícil, complexa. Ensinou-me que ser gente não é ser perfeito e que ninguém é santo, nem mãe. Que a vida é lida e que “é o tempo que cura o queijo”. Mamãe ensina-me a ser mãe e eu agradeço a Deus, por isto. Preciso aprender tanto, ainda. Que Deus dê à minha mãe, o que de melhor houver neste mundo e na eternidade. Eu peço muito isto. Eu conto com isto, pois posso oferecer tão pouco, a ela. Que Deus nos abençoe, a todas as mães. Que os filhos sejam cada vez melhores e mais felizes. À mamãe, o meu maior amor, a minha eterna gratidão. E ao papai, que me garante a melhor mãe do mundo. Longa vida, saúde e paz!

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Minha vida de petista

*Publicado no jornal Diário da Manhã em 10.01.12


“Você lembra, lembra!
Daquele tempo
Eu tinha estrelas nos olhos...”
Roupa Nova

Eu me lembro com muita saudade das aulas de História do prof. Afonso Lyra, no Colégio Agostiniano, no início dos anos 80. Um dos fundadores do PT, ele foi a primeira referência que tive, deste partido político.
Participei do Diretas Já e em 1985 meu ex-marido e eu recebemos na EMBI, nossa escola de informática, o candidato do PT a prefeito de Goiânia, o prof. Darci Accorsi, por influência do meu compadre Simões, estudante de História, na época.
Veio daí minha admiração pelo prof. Athos Magno, em quem pude votar pela primeira vez, no final dessa década.
Em 1989 eu morava em frente ao Diretório do PT, no Centro, e estava a ver a preparação do bloco Lua Lá, que desceria a Av. Goiás, no desfile de rua, no carnaval, quando Darci Accorsi puxou-me e andou comigo até me conseguir um capuz preto para eu entrar no bloco que faria protesto em alusão ao assassinato de Chico Mendes. E assim eu desci a avenida no carnaval de Goiânia; foi a primeira das três vezes que fiz isto.
Logo em seguida surgiu uma viagem para São Bernardo, para o comício do Lula e eu fui. Foi tudo muito lindo, lembro-me até da lua, que eu via pela janela do ônibus. Jamais me esquecerei do Pinheiro Salles passeando e conversando comigo e depois, ficando sem a jaqueta de frio, para me emprestar, já que a minha ficara trancada no ônibus e não encontrávamos o motorista... Ao chegar a Goiânia, filiei-me ao Partido dos Trabalhadores.
Nesta época haviam as Sextas Culturais do Ivanor, do Pedro Tierra e uma febre de venda de artigos como camisetas, bonés e bottons com a estrela do PT.
Ganhei um brinquinho com a estrela do PT, do prof. Pedro Wilson, que veio a ser meu exemplo de fé, de humanidade e de grandeza. Eu também comprava e incentivava as compras junto às pessoas que eu conhecia.
Lembro-me que levei minha TV para acompanhar a apuração dos votos no diretório, junto ao Gutemberg e uma galera e minha mãe quase teve um treco, não gostava do PT na minha vida.
Foram muitas as campanhas, caminhadas, panfletagens, reuniões, comícios e encontros. Em meu segundo encontro, na antiga Câmara de Vereadores no Pathernon Center, levei meu talher para o almoço, pois não conseguia usar a colher que faziam com a tampa do marmitex. Era muita alegria, muita fé, muita esperança, muita teoria para a construção de um mundo melhor. Era muita gente boa pensando junto.
Muitas batalhas. Meu cunhado me deu uma linda botina feminina, para que eu pudesse ir e vir “mais a vontade”, segundo ele. Nesta época eu era estudante de Serviço Social. Eu andava muito, nos bairros, na cidade.
Na antiga UCG, minhas colegas do SER não valorizavam minha militância, pois criticavam o “aparelhamento” dos partidos políticos, das instituições...
Na campanha de Darci em 1992, comecei a avaliar algumas questões que me incomodavam e no segundo turno, apoiei Sandro Mabel. Meu pai quase teve um treco. Lembro-me bem dele me dizendo “-Mas minha filha, o Darci vai ganhar...” e eu dizendo que isto não importava. Eu até gravei na Stillus, uma fala sobre o porquê de não votar no PT naquele momento.
Eu falava aos quatro cantos, do dinheiro que entrou na campanha através do candidato a vice, da aliança, da descaracterização do Partido...
Depois, Pedro Wilson me conseguiu um estágio de pesquisa no IEL e assim, trabalhei com ele quando vereador. Como o meu salário rendia. E o trabalho também. Desenvolvi uma pesquisa sobre Movimentos Sociais e a apresentei no encerramento do curso, na disciplina de Pesquisa Social. Foi de uma riqueza imensa, esta época, em que o Pedro Wilson era “The Best” em análise de conjuntura. Tínhamos o Adérso.
Diante do ritmo exaustivo das reuniões, eu sempre fazia e levava pães de queijo, pão integral, café e suco de caju para oferecer “um agrado” àquelas pessoas que comigo compartilhavam sonhos e lutas.
Entre as campanhas, era ao redor de Pedro que eu ficava, embora tenha passado pela TM.
Engraçado que quando optei por militar na campanha de Juarez Lopes para vereador e alguém me disse para sair e apoiar outro mais forte, estranhei, pois entendia que tinha que contribuir com quem precisava...
Mais tarde, já formada, trabalhei na mega campanha de Luiz Antônio de Carvalho. Comecei de secretária dele, fui para a Agenda, depois para a Mobilização do interior e daí para a Comunicação, onde tive a satisfação de ter orientações de Pinheiro Salles e de Wilmar Alves. Almoçava com a falecida companheira Sueli Frassáit enrolando o arroz nas folhas de alface.
Trabalhei com Luis César em dois momentos. No primeiro, como professora substituta dele, que me convidou quando passava pelo gabinete do falecido Moura, na Assembléia e depois, na campanha de 1996 e no primeiro mandato de vereador. Muita articulação, leituras, pensamentos estratégicos, “bonecos” para jornaizinhos, organização de idéias e ações sem esquecer o violão, a música brasileira, o rock e a poesia.
Aí me afastei do PT, mas no fim do primeiro turno da campanha de Pedro Wilson para prefeito procurei por ele e voltei à militância petista.
Na campanha de 2002, pedi demissão da Cidadão 2000 e assumi o trabalho à frente do comitê da profª Clélia Brandão ao Senado, convidada pelo prof. Daniel da antiga UCG e pelo falecido amigo Gil, da CUT; nesta campanha apoiei Paulo Garcia, candidato à Deputado Estadual. Clélia Brandão teve em torno de 400 mil votos e o Lula foi eleito. Depois, fiquei nove meses desempregada.
Passada a campanha do Gil para vereador, percebi que precisava sair do partido, mas veio o “mensalão”. Então, resolvi ficar mais um pouco, para não me sentir uma ratazana. Fui a primeira pessoa a falar em público sobre a hipocrisia disto, em uma reunião do Pedro Wilson. Depois desta reunião, lembro-me da última longa conversa com o Gil, na porta do IFTEG, sobre isto e sobre a campanha dele.
Em 2007 me desfiliei do PT. Mas não foi por desilusão ou arrependimento ou coisa parecida. Sou profundamente agradecida por um bocado de coisas que vivi junto ao PT e não nego.
Na última Conferência de Mulheres, foi estranho ver Carmem Síria sem saber se me oferecia ou não uma estrelinha; mas foi muito bom revê-la e também rever a mulherada que segura este movimento.
Nada me faz entender o porquê das atuais alianças do PT de Goiás. Tampouco os discursos chinfrins que aparecem na mídia ou os comportamentos iracundos que revelam mediocridade, onde antes aparecia uma oposição com um brilhantismo e uma esperança cativantes e invejáveis.
Quando eu era petista, havia até um modo petista de governar.

A população de rua em Goiânia e a assistência social

* Republicação de artigo publicado no jornal Diário da Manhã em 18.09.10. Republicado em 05.01.12

Se por um lado a Assistência não pode obrigar ninguém a “aceitar ajuda”, por outro, tem o papel e deve ter a competência para mostrar a quem está na rua, que tem algo melhor que a rua, para oferecer. Tem que ter competência para o convencimento através do diálogo, de uma relação honesta, pautada nos princípios da Assistência Social. Tem que ter mesmo, o que oferecer.
Como diz a profª Cida Skorupski, “ninguém, em sã consciência prefere a rua a uma caminha arrumada, limpa, um alimento quentinho, saboroso, uma casa aconchegante...”.
É preciso conhecer de confusão mental, de miséria, de sistema explorador, prá se ter competência em Assistência Social, que não faz tratamento psicológico, mas encaminha... Que não é filosofia/sociologia, mas se utiliza destas ciências, para compreender na totalidade, os fenômenos sociais.
A visão de trabalho social que permeava as extintas Cidadão 2000 e Casa Ser Cidadão (que trabalhavam as questões de crianças/adolescentes e adultos em situação de riscos socioeconômicos em Goiânia) sabia bem disso: de relações honestas, sem medo, com cuidados, mas horizontalizadas. Esta visão não escolhia usuário, não impedia de entrar nas casas de acolhida, pessoas que usam drogas (lícitas/ilícitas) ou que são agressivas ou que furtam. Estas eram o público-alvo. Sabia-se como lidar com elas.
Temos, na atualidade, profissionais que têm medo... Falta de perfil, de preparo e ainda, excesso da visão e de argumentos que fazem da Assistência Social solidariedade/caridade e que imprimem a esta política, um caráter “solidário e amoroso” que se diluem quando os resultados não revelam o almejado, quando o enfrentamento exige “abster-se, no exercício da Profissão, de práticas que caracterizem a censura, o cerceamento da liberdade, o policiamento dos comportamentos”, conforme exige o Código de Ética da profissão.
Na “Casa de Acolhida” de Goiânia moram “pessoas com feridas”, problemas de saúde, que “não têm para onde ir”... Não tenho dúvida de que este trabalho está equivocado.
No Natal de 2009 apareceu no jornal da TV, uma moça dizendo da maravilha que é ter onde ficar, dormir, comer e até agradecendo por ter conseguido lá, um novo marido... Mais de 200 pessoas ali, sem ter gastos...
Claro que Goiânia está muito atrativa para moradores de rua, por isto está cheia deles! O danado é que isto não traz dignidade e a PNAS orienta para o direito à convivência familiar e comunitária, tendo havido inclusive uma Audiência Pública neste sentido, no Auditório do Ministério Público em 08/12/09.
Não se reconhece a importância norteadora do Movimento Nacional de População de Rua e da Política Nacional para Inclusão Social da População em Situação de Rua no desenvolvimento desta política.
Enquanto a SEMAS pede “ajuda” à população, através de campanhas de doação, a devolução de verbas ali é constante, por falhas de planejamento e por falta de projetos.
Saliente-se aqui, que a política de doações (recebimento/redistribuição) da SEMAS é assunto para outro momento.
Não haverá sucesso nas políticas sociais goianas enquanto o poder público não se atentar para o fato de que as políticas sociais devem acontecer em conexão entre o social (histórico), o econômico e o ambiental, estabelecendo relações entre as particularidades dos problemas, que não começam e nem terminam em si.
É preciso uma atuação articulada, multiprofissional e intrasetorial, com outro olhar e agir, que sejam capazes de superar o assistencialismo e a ineficiência dos programas atuais no que diz respeito à construção da emancipação e da inserção social.

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Os direitos de crianças e adolescentes, em Goiânia

#Artigo publicado no DM em 25.11.2011

É vasto e variado o cesto de notícias acerca da questão dos direitos de crianças e adolescentes, diariamente na mídia local. São crimes por atos e omissões; negligências, maus tratos, exploração/abuso sexual, abandono, agressões, seqüestros, assassinatos. Principalmente na capital e região metropolitana, mas também no interior de Goiás.
Crescem os números relativos aos adolescentes no sistema de medidas socioeducativas e as reincidências.
Enquanto isto é público e notório que milhares de pessoas e entidades governamentais, particulares e filantrópicas trabalham neste campo e que recursos são encaminhados para este trabalho. E muitas vezes devolvidos por falta de projetos.
Não se pode dizer que nada está sendo feito no sentido de se resolver estes problemas. É preciso que se avalie verdadeiramente o como está sendo feito. E que se passe a fazer conforme as leis e normas operacionais básicas, planejando, executando e avaliando o que se planeja e se executa.
Por outro lado, há algum tempo que a retórica política predominante reitera o papel e a importância da família no contexto da formação da pessoa humana e conseqüentemente, da sociedade.
Mas não há empenho por salários honestos e políticas públicas efetivas, por redução de jornada, por planejamento familiar.
Em que pesem os descasos, politicagens e as notícias sobre a questão dos vilipendiados direitos de crianças e adolescentes em nosso Estado, este mês de novembro está repleto de atividades voltadas para construção de uma nova realidade em Goiás.
Estão acontecendo em todo o Estado, Conferências Municipais visando as Conferências Regionais; posteriormente, a Conferência Estadual em maio, e por fim a Conferência Nacional, que se dará em julho de 2012.
Da Conferência de Goiânia, saiu uma Moção de Repúdio à gestão da política de Assistência Social da SEMAS, que há cinco anos se caracteriza pela arbitrariedade, pela politicagem em benefício próprio, pela incompetência e ignorância acerca da concepção conceitual desta política.
A promoção, proteção e defesa dos direitos, o protagonismo e o controle social e ainda, a gestão da política voltada para crianças e adolescentes são os eixos temáticos das Conferências. Goiás participará da Nacional com 94 delegados.
O Tribunal de Justiça de Goiás, através de sua Corregedoria Geral, realizou o Workshop da Infância e Juventude, que tratou dos aspectos infracionais e medidas socioeducativas em meio aberto e fechado e também apresentou o Manual das Rotinas da Infância e da Juventude, que propiciará que a lei seja aplicada da mesma forma nas cidades do Estado.
Este evento reiterou o compromisso da Justiça de Goiás com a questão dos direitos de crianças e adolescentes e contou com a presença de expositores de outros municípios e estados, com representante do Conselho Nacional de Justiça e com trabalhadores multiprofissionais ligados ao TJ/GO. Com direito a apresentação de boas práticas, mini curso e painel de exposição de entidades parceiras.
Na Assembléia Legislativa, a Comissão de Direitos Humanos, Cidadania e Legislação Participativa realizou um Fórum de Debates sobre a Lei que estabelece o direito de crianças e adolescentes serem educados e cuidados sem o uso de castigos corporais, tratamento cruel ou degradante.
Nos dias 29 e 30, o Conselho Estadual dos Direitos da Criança e do Adolescente e a PUC/GO, estarão com o CONANDA em sua 200ª Assembléia Itinerante, que terá como temas o extermínio de crianças e adolescentes e a rede de proteção dos direitos da criança e do adolescente, com a participação de autoridades públicas, entidades e trabalhadores da infância e adolescência, de Dom Tomás Balduíno, representantes de universidades, fóruns, conselhos e ainda, das mães de Luziânia. Os resultados das plenárias irão compor a “Carta de Goiás”.

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

O Plano de Desenvolvimento do Entorno

*Artigo publicado no jornal Diário da Manhã de 17/11/11

A partir do ano de 1995, a região do entorno de Brasília passou a ter um crescimento vertiginoso e desordenado, devido intenso processo migratório de pessoas vindas de todo o Brasil para Brasília em busca de trabalho e de melhores condições de vida.
Atualmente com um total de um milhão de habitantes, as cidades do entorno, comumente chamadas de cidades dormitórios, possuem graves problemas devido o inchaço populacional e a falta de investimentos em obras de infraestrutura.
O fato, é que a aculturação e a deterioração crescente das condições socioambientais nesta região têm refluído no triste retrato da violência e da criminalidade do Estado de Goiás e do Distrito Federal. Dos 20 municípios mais violentos de Goiás, 11 estão na região do Entorno.
É urgente um modelo de desenvolvimento integrado entre o Distrito Federal e o entorno – de onde milhares de pessoas se deslocam diariamente para o trabalho em Brasília, sem que haja sequer um plano comum de mobilidade viária e de transporte público integrado entre estas cidades.
A distância que moradores de cidades dormitório percorrem todos os dias, contribui com a precariedade da vida em seus municípios, que ficam esvaziados durante a semana. Decorre daí a falta de organização das comunidades frente às demandas por infraestrutura e por políticas públicas. Os níveis de participação e de controle social são baixíssimos.
Constata-se que muitos jovens ficam à mercê, pois seus responsáveis têm mais dificuldades para acompanhar suas rotinas e vidas escolares. É de pasmar ouvir da Segurança Pública, que a unidade que mais prende foragidos é o Batalhão Escolar.
Hoje existem, na região do entorno, 8000 jovens institucionalizados.
Após décadas de denúncias e pressões e após diversas tentativas de se “resolver” o problema do entorno, o Governo Federal solicitou aos governos de Goiás e do DF, um documento com as principais necessidades da região para a composição de um Programa de Desenvolvimento do Entorno.
Em Goiás, a SEGPLAN está organizando dados, junto a um grupo de trabalho intersetorial para atuação conjunta sistematizada, visando, não apenas controlar “guerrilhas urbanas” para proteger a capital da União de suas consequências, mas principalmente, garantir qualidade de vida à população da região do entorno.
Nos encontros, embora o clamor social passe principalmente pela questão do policiamento, a SSP/GO conclama a uma visão holística em um trabalho integrado e diz que a “Segurança não pode ser tratada como remédio para a febre...” e que a solução para o problema, embora precise de recursos humanos, estrutura física e logística, é a prevenção contra a criminalidade.
A SEDUC/GO revelou, entre os dilemas que vive, que os muros de 3 metros de altura não impedem meliantes de usarem as dependências das escolas em farras e vandalismo. Faltam quadras esportivas e escolas. Uma escola funciona em prédio cedido pela SSP/GO.
A proposta de Goiás não será um programa estratificado.
Além de atentar para as questões de infraestrutura e de desenvolvimento social, prevê um choque na economia, para que os municípios do entorno sejam estimulados a efetivarem consórcios e a instalarem empresas por meio de uma política de incentivos fiscais e financeiros a determinados nichos de mercados específicos, de acordo com as vocações de cada município, sem perder de vista que Brasília é rica em turismo cívico e cultural; um centro político e de negócios circundado por cachoeiras e uma gastronomia peculiarmente atrativa, em municípios em que se padece por falta de saúde, hotéis, aluguel, asfalto, água e saneamento básico, transportes, escolas, opções de lazer, policiamento, postos de trabalho e ainda, por alimentação cara.
Sucesso ao Plano de Desenvolvimento do Entorno, desenvolvido a priori pelas equipes técnicas da Segplan, Saneago, Segurança Pública, Sic, Gdr, Saúde, Cidadania, Educação, Seinfra, Goiastur e dos Bombeiros, e que em breve deverá ser discutido com autoridades públicas e a sociedade civil interessada em contribuir com sua implantação.

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

O Dia Internacional de Pessoas com Deficiência

*Artigo publicado no jornal Diário da Manhã em 11.11.11
O Conselho Estadual dos Direitos das Pessoas com Deficiência realizará no dia 03 de dezembro, juntamente com o Governo do Estado de Goiás e parcerias, o Dia Internacional de Pessoas com Deficiência, no Parque Flamboyant, a partir das 8 horas, com diversos serviços e atividades no campo da assessoria jurídica, da fisioterapia, psicologia, saúde e beleza.
A atividade será aberta oficialmente às 9 horas, com uma oração ecumênica e contará com apresentações artísticas, recreação e espaços pedagógicos e se estenderá até o meio dia.
A presidenta do CEDPD/GO, Maria de Fátima “Clara”, na assembléia ordinária que tratou da organização da referida atividade, fez questão de lembrar que em muitas situações o preconceito e a desinformação atrapalham as relações cotidianas e limitam as pessoas com deficiência, seja o cadeirante, a pessoa surda, deficiente visual ou intelectual, comprometendo a cidadania e gerando uma acessibilidade menor das pessoas com deficiência a recursos e condições que podem facilitar e até garantir a qualidade de vida para estas pessoas e suas famílias.
Clara frisou que este é um momento de chamamento à sociedade, que deve pensar que qualquer pessoa está sujeita a uma fatalidade e que, no entanto, muitas deficiências congênitas podem ser tratadas na gravidez e muitos acidentes poderiam ser evitados se houvesse maior responsabilidade no trânsito e com o consumo de álcool.
Dados indicam que no Brasil, 110 mil pessoas são lesionadas, por ano, vítimas de acidentes de trânsito; 39 mil 500 pessoas morrem e 500 mil ficam feridas.
Por outro lado, o Conselho comentou a ação da SANEAGO, no sentido de facilitar a leitura das contas disponibilizando a opção em braile, lembrando que esta é uma conquista, mas que ainda é preciso conquistar, para as pessoas de baixa visão, boletos com letras maiores e também via email.
Muito animado com a gestão que se inicia, o CEDPD/GO pretende que esta ação da SANEAGO contagie outros órgãos públicos, inclusive no sentido de tornar acessíveis suas dependências internas.
Neste sentido, impressionou a disposição do Dr. Antenor Pinheiro, Superintendente de Desenvolvimento Urbano e Trânsito e Coordenador da Associação Nacional de Transportes Públicos (ANTP), ao participar, do começo ao fim da assembléia, denotando o compromisso da Secretaria de Estado das Cidades com os direitos das pessoas com deficiência e também com uma política estadual de mobilidade viária, chamando a atenção para o Plano Nacional de Redução de Acidentes e Segurança Viária para a Década de 2011/2020, que requer a construção de metas para os próximos 10 anos em Goiás.
Diante do exposto, espera-se que o 03 de dezembro seja lembrado pela população goiana como um dia de luta pelos direitos das pessoas com deficiência, por uma sociedade inclusiva, com dignidade e vida plena.

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Grupo Técnico de Trabalho da Comissão de Agricultura, Pecuária e Cooperativismo

*Artigo publicado no jornal "Diário da Manhã" em 03/11/2011

A Comissão de Agricultura, Pecuária e Cooperativismo da Assembléia Legislativa, composta de 14 parlamentares e presidida pelo deputado Francisco Jr., tem o papel de contribuir com a análise e o aperfeiçoamento da legislação e das políticas públicas referentes ao agronegócio, incentivar a apresentação de proposituras, fomentar novas idéias e promover ações integradas com diversos setores da sociedade, como escolas, faculdades, igrejas, associações, federações, sindicatos, ONG`s, etc.
Instituído o Grupo Técnico de Trabalho (em parceria com a SEAGRO, SEGPLAN, SECTEC, FAEG, SGPA, OCB, CEASA, AGDR, EMATER, AGRODEFESA, FETAEG, FAPEG, INEAA e FACIEG), o principal assunto desta Comissão neste momento é, sem dúvida, a questão da assistência técnica e da extensão rural, principalmente a partir do trabalho realizado pela EMATER – Agência Goiana de Assistência Técnica, Extensão Rural e Pesquisa Agropecuária, cuja reestruturação foi tema de algumas reuniões.
Diante disto e após convite, o Presidente da Agência, Sr. Luiz Humberto Guimarães, esteve com a Comissão e falou sobre os problemas que teve ao chegar à EMATER, com os recursos financeiros e logísticos muito aquém do necessário para um trabalho satisfatório, mas afirmou que no momento a sustentação política e administrativa já está adequada para esta fase de retomada, sendo que já chegaram novos veículos, computadores e técnicos em comissão, frisando que o quadro de servidores, embora excelente, ainda é pequeno e indica a necessidade de concurso e de um plano de cargos e salários, pois a alta rotatividade de profissionais entrava a formação técnica para o trabalho extensionista.
O aumento de quase 100% no número de municípios conveniados com a EMATER, neste ano, confirma a importância dos serviços oferecidos tradicionalmente por esta instituição, porém é preciso garantir técnicos suficientes para os escritórios locais.
A expectativa da Comissão é de que haja em Goiás, realmente, uma política capaz de organizar as interfaces do setor agropecuário, de modo a atender as necessidades de graduação e especialização de corpo técnico, de pesquisas e de desenvolvimento de parcerias em projetos multisetoriais, que fomentem o desenvolvimento socioeconômico das regiões rurais e dos produtores e garantam a satisfação da população consumidora, em termos de quantidade, qualidade, variedade e preço competitivo.
São altos os índices de inadimplência junto aos sistemas de crédito rural, que não fiscalizam o andamento dos processos produtivos e não oferecem assistência técnica. É consenso, entre os membros do GTT, o fato de que a agricultura familiar e os pequenos produtores de Goiás precisam de informações, de orientações técnicas e de monitoramento para a produção e a comercialização de seus produtos.
Sabe-se que muitos, exauridos diante da falta de orientações técnicas, de incentivos fiscais, da ocorrência de intempéries naturais, da falta de conservação de rodovias e estradas vicinais e da insuficiência na transmissão da energia elétrica, estão desistindo do trabalho na terra e arrendando seus terrenos para usineiros, o que a médio prazo pode significar alteração na oferta de alimentos e rompimento dos vínculos familiares com a terra, do que decorrem os altos preços dos alimentos e o êxodo rural.
O GTT – Grupo Técnico de Trabalho, imbuído de contribuir com o desenvolvimento socioeconômico sustentável de Goiás, sugeriu e a Comissão de Agricultura, Pecuária e Cooperativismo acatou, a realização de uma audiência pública, ainda neste ano, para esclarecimentos sobre a realidade e as perspectivas que o poder executivo tem para o setor agropecuário em Goiás.
Outras atividades estão sendo pensadas, no intuito de envolver toda a cadeia produtiva na discussão desta temática, preponderante para o desenvolvimento de uma sociedade sustentável.
Espera-se que a política agropecuária do Estado de Goiás venha a corrigir distorções que se arrastam neste campo fundamental da economia, seja desenvolvendo pesquisas e tecnologias, garantindo assistência técnica e extensão rural, fortalecendo as organizações dos produtores rurais, como associações e cooperativas, ou oferecendo incentivos fiscais, de acordo com as vocações territoriais.

Alexandra Machado Costa, Maurivan Siqueira e Sydnei Mello, servidores públicos.