quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Viva 2010!

* Publicado no Jornal "Diário da Manhã" em 03.02.10

Que em 2010, mais pessoas resolvam produzir e comer menos carne;
Mais pessoas conheçam os riscos da exploração e do uso de amianto e suas alternativas na cadeia produtiva e se posicionem pelo seu banimento;
A amizade seja o bem maior a unir as pessoas;
As questões sociais sejam tratadas como questões de Direitos Humanos e não de caridade;
Os políticos invistam em projetos coletivos para a emancipação da humanidade;
As balbúrdias do capitalismo continuem aparecendo, para análises e críticas que corroam a falsa moral dos capitalistas selvagens, porcos e narcisistas;
Mais pessoas integrem uma consciência ecológica universal profundamente comprometida com a sustentabilidade da vida e do planeta Terra;
Possamos vivenciar mais momentos afetuosos junto aos nossos entes queridos;
Mais brasileiros repensem a exploração de trabalhadores, a concentração de renda e de riquezas no Brasil;
Mais brasileiros consigam viver de forma equilibrada e digna, com liberdade, trabalho, saúde, transporte, segurança, moradia, educação, lazer e praticando esporte.
A juventude possa viver o início de anos realmente dourados, com desenvolvimento integral e perspectivas de futuro próspero;
Os movimentos sociais trabalhem menos segmentados, pulverizados, entendendo que a luta é pelos direitos humanos, independente de idade, etnia, sexo, escolaridade ou religião;
A Prefeitura de Goiânia entenda o papel do Jóquei Clube de Goiás para a revitalização do centro histórico de Goiânia, para a qualidade de vida na cidade e para a preservação ambiental e que ainda, tome atitude para a recuperação deste patrimônio histórico, social e cultural;
A Agência Municipal de Meio Ambiente e o Código de Posturas de Goiânia funcionem e parem com a devassa que vem sendo feita no Setor Aeroporto (bairro residencial), com a retirada diária de árvores que atrapalham as fachadas e o cimento das garagens que vendem automóveis, agravando questões ambientais e climáticas no bairro, na cidade... E no mundo;
Eu possa votar em Batista Custódio para Senador e em Henrique Meirelles, para um projeto de Estado com mais cidadania, construído mais tecnicamente correto, do que popularescamente, pessoalmente, interessante.
Esses são meus pedidos sinceros, ao Grande Arquiteto do Universo. Que assim seja!

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Goiânia: o lixo, o parlamento e a prefeitura

* Publicado no jornal "Diário da Manhã" em 07.12.09

A Prefeitura de Goiânia, ao intensificar o processo de organização do trabalho de coleta seletiva, nada mais faz do que o esperado, o almejado, o já iniciado, desde 2000, quando no Brasil inteiro se intensificou a questão da consciência e da sustentabilidade ambiental.

Em várias cidades brasileiras existem bons resultados a partir da associação de pessoas coletoras de recicláveis, propiciando a inclusão social de populações marginalizadas, em espaços e condições de trabalho mais adequados e melhores condições de comercialização.

O exercício da cidadania neste processo substitui as condições de violência e de marginalidade vividas nas ruas; o trabalho organizado se torna profissional e agrega mais resultados positivos, desde a questão da quantidade e da qualidade do material coletado à questão do desenvolvimento econômico e socioambiental sustentáveis.

Não é possível ao alcance curto da inteligência que remete à assistência social as causas dos dilemas sociais e econômicos de nossa população, o entendimento de que as causas estão na concentração de renda, na falta de ideais autenticamente coletivos e na falta de vocação política na exata acepção da palavra, o que tem levado esta classe a perpetrar palavras e atitudes torpes, como o nepotismo, a corrupção, a defesa de 13º, 14º e 15º salários.

Mas é possível desejarmos sucesso a este empreendimento que se reinicia, de organização da coleta seletiva, enquanto cidadãos do bem. É necessário.

E este reinício poderia ter sido menos traumático se nosso parlamento não tivesse deixado ao vento o trabalho começado em 2000, se tivesse cobrado a continuidade dos bons projetos e serviços, já que muitos parlamentares têm mandatos contínuos.

Associações podem oferecer serviços sociais como de orientações jurídicas, de saúde, educação, segurança alimentar, esporte e lazer, oferecer banheiros para que os trabalhadores tomem banho ao final do dia, roupas adequadas.

Quem não se comove com um carrinho cheio de lixo sendo puxado por semelhante visivelmente maltratado e quase sempre com alguma criança dentro ou por perto ajudando na coleta? Isso não é digno, e o que vivem estas pessoas fora destes momentos também não. Mas tirar proveito disso é menos digno ainda.

Coletores de lixo ajudam a reduzir custos e a preservar o ambiente. Precisam ter reconhecida sua atividade, como sendo profissional e altamente relevante ao todo da sociedade. Segundo levantamentos da Comurg, cerca de 35% das mais de 30 mil toneladas mensais de lixo poderiam ser reciclados, gerando, em média, R$ 800 mil e aumentando a vida útil dos aterros sanitários.

Nosso parlamento precisa desenvolver uma ampla campanha de sensibilização para a mudança dos hábitos de descarte nas atividades funcionais e domésticas, de consumo exagerado, de desperdício, e atuar mais próximo da sociedade em geral, conhecendo a realidade, para transformá-la, para formular discursos, leis e ações que realmente emancipem as pessoas e melhorem a qualidade de vida na cidade.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Não basta se indignar. Vote domingo, para o Conselho Tutelar!

* Publicado no jornal "Diário da Manhã" em 28.11.09

Historicamente no Brasil, a problemática de crianças e adolescentes vem sendo percebida sob o viés de situações pontuais, tratadas de modo desconectado da trama de relações que perpassam o cenário no qual estão inseridos.
O capitalismo e o conseqüente enfraquecimento da sociedade salarial diante da precarização do trabalho e da vida, se traduzem em uma sociedade fragmentada e acéfala, de relações cada vez mais superficiais e descartáveis.
A questão social no Brasil não se resolverá através de políticas sociais, simplesmente. É preciso que alteremos ainda mais as correlações de forças, as condições estruturais da sociedade.
E isto, espero, só através do voto. Do mais particular, ao mais geral. Nas discussões de casa, do condomínio, da comunidade, do trabalho, da cidade, do Estado, do país.
Cada vez mais, no Estado democrático, é necessário desenvolvermos nossa capacidade de reflexão e teorização, de percepção de contradições, de relações entre causa e efeito. Disto depende nossa reação aos acontecimentos do mundo que nos cerca.
As situações de violência e exploração que envolvem crianças e adolescentes, provocam sempre grande comoção: drogaditos, jovens e crianças que assaltam, que são estupradas, maltratadas; jovens e crianças que matam e que morrem nas ruas e nas famílias.
Precisamos ir além da comoção. Precisamos refletir, agir. Exigir.
Domingo, dia 29 de novembro, em Goiânia, vote para o Conselho Tutelar dos Direitos de Crianças e Adolescentes.
Se sua pessoa ou pessoa amiga precisar, em última instância, de justiça em situação que envolva filho (a), sobrinho (a), vizinho (a), parente ou conhecido (a) com menos de dezoito anos, pode precisar do Conselho Tutelar.
O Conselho Tutelar atua no encaminhamento de situações que envolvem o direito de crianças e adolescentes. É um órgão administrativo, vinculado ao Poder Executivo Municipal com efeito operacional, de caráter autônomo e permanente, para fiscalização da efetivação das ações previstas no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).
Daí, ter um papel eminentemente político.
Os conselheiros tutelares são porta-voz de suas comunidades e atuam como mediadores junto a órgãos e entidades relacionadas aos direitos de crianças e adolescentes. São eleitos 5 membros por região, através do voto direto da comunidade, com mandato de 3 anos.
Conselheiros devem ter liderança, representatividade, poder de formar opinião junto à sociedade e ao poder público, no que diz respeito à visão e ao trato de crianças e adolescentes, no sentido de garantir que a família, o Estado e a sociedade cumpram seus deveres.
Conselheiros não têm o papel de educar, embora sejam naturalmente, educadores; não vão oferecer cestas básicas, remédios, terapias, emprego, segurança, moradia. Devem mobilizar e articular serviços, programas e profissionais competentes para a defesa dos direitos de crianças e adolescentes em sua luta diária, construindo persistentemente, uma sociedade justa.
A sociedade deve eleger para o Conselho Tutelar, candidatos que têm história de trabalho na luta pela proteção integral dos direitos de crianças e adolescentes.
Quem vota revela responsabilidade e compromisso com a luta pela defesa dos direitos de crianças e adolescentes.
Cumpra o seu papel.

domingo, 22 de novembro de 2009

Viva a Consciência Negra!

* Publicado no Jornal "Diário da Manhã" em 17.11.09

“... 75% da sociedade também é preta...”
Libera O Badaró

Na cidade Utopia, o trabalho físico tem, não menor importância, mas menor desgaste. As pessoas dedicam-se plenamente à elevação moral, intelectual, espiritual. Buscam prazeres menos efêmeros do que os que nos trouxe a sociedade capitalista. Lá, os cidadãos têm igual acesso aos serviços de educação e saúde. Não têm problemas de moradia e os índices de violência são baixíssimos, mais devido à qualidade de vida, do que ao sistema carcerário que é extremamente duro e eficaz.
Lembrando que utopia não é o irrealizável, como disse Paulo Freire, mas o ainda não realizado, o mercado goianiense precisa se modernizar e o Estado precisa desconcentrar a renda e estimular o que significa aumentar a atratividade das cidades para o turismo e nada melhor, neste sentido, do que garantir a qualidade de vida.
Existem estudos que mostram que neste século a indústria que mais vai crescer é a do turismo, do lazer e do entretenimento. Pergunta-se para quem, se a maioria dos brasileiros não pode freqüentar festas, cinemas, teatros, viajar, conhecer a diversidade no mundo das artes plásticas, da música, da literatura.
Feriados na cidade podem significar circuitos culturais, esportivos, de artes, de lazer etc. Podem significar postos de trabalho extra.
Não há excesso de feriado diante do tamanho dos salários. Diante do desgaste diário do trabalhador brasileiro (valor da cesta básica x salário, trânsito, longas distâncias, convívio com humores e personalidades diversas, debilidade das relações sociais, pessoais e familiares), quando o feriado chega, é hora de colocar em dia as relações, os cuidados com o corpo, a casa, o jardim e o carro, o sono, o lazer, o esporte, a caridade, a espiritualidade.
Os feriados são garantia de sobrevivência para trabalhadores. Chegam sempre na hora exata. Estudiosos garantem que não há maior produtividade com corte de férias.
Se por um lado, o Brasil possui o maior número de dias livres de trabalho, em número de horas trabalhadas supera os países da Europa.
O Brasil empata com a Lituânia, com 41 dias de folgas, segundo pesquisa da consultoria Mercer. A França está na segunda colocação ao lado da Finlândia. A Espanha tem um total de 36 dias.
Os trabalhadores com menos dias de folga são os canadenses, com 19. Na China, são 21. No Japão são 20 dias de férias por ano, mais 16 dias de feriados, o que o faz o país com o maior número de feriados. Nos Estados Unidos não há lei que define, mas normalmente são 15 dias de férias e 10 dias de feriados.
O Brasil tem o maior número em dias de férias trabalhistas: 30, igual à França e à Finlândia. No critério de feriados, o País está na sexta posição, com 11 dias.
É a soma dos critérios férias e feriados que coloca o Brasil no topo da lista.
A Europa é a região do mundo onde menos se trabalha por ano e a Ásia onde se possui menos dias de descanso. Na Índia, são apenas 12 dias, na China 10 e 14 em Cingapura.
Vale avaliar que salários e benefícios em vários países, são melhores que os brasileiros. A Noruega oferece licença paternidade de dois meses e as mães desfrutam de 12 meses de salário maternidade, sem trabalho. A Suíça garante licença de três dias pela morte de parente.
Nos últimos dez anos os americanos trabalharam 137 horas a mais do que os japoneses, 260 horas a mais do que os trabalhadores ingleses e 499 a mais do que os alemães.
Muitas constitucionalidades precisam ser vistas, é fato, mas o motim que derrubou o feriado do Dia da Consciência Negra está equivocado.
O Movimento Negro é legítimo e não reconhece o “Dia da Abolição” como sendo data significativa para negros e negras, que ficaram à mercê da sociedade brasileira, desde sempre.
Oxalá os capitães do motim repensem a manobra e se dediquem a produzir mais para o imenso filão de consumidores negros e negras. Que desistam de ver seus marinheiros vibrarem rijos, os chicotes, para verem o povo negro a dançar “ao som de orquestras irônicas e estridentes”, relembrando os dos conhecidos navios negreiros de outrora.

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

“Não me amarra dinheiro não, mas elegância...”

* Publicado no jornal Diário da Manhã de 03 de novembro de 2009

“Os ideais que iluminam meu caminho,
são a bondade, a beleza e a verdade.”
Albert Einstein

Música do desfile, frase de folders e cartazes do 2º Concurso de Beleza do Bairro Novo Paraíso, realizado no dia 25 de outubro, Dia Nacional da Juventude, em Anápolis.
Após dias de muita correria, inúmeros telefonemas e articulações, conseguimos realizar o que propusemos. A Associação de Moradores, a Adrienne e eu, recebemos no Núcleo de Apoio Cristão – NACRI, da Irmã Iozita, cerca de 500 pessoas, alegres, receptivas; torcendo pelas próprias eleitas, entre as 12 meninas que se candidataram ao pleito.
Nosso obrigado à Irmã Iozita, referência por suas lutas nesta comunidade.
Músicas escolhidas e gravadas enfim, pela Ana Clara, desfile na passarela: Viva La Vida, de Coldplay, Falling Down, de Oasis, Oba, Lá Vem Ela, de Charlie Brown Jr., Dota, de Basshunter, a Burguesinha, claro, do Seu Jorge, Delirious, de David Guetta, Beleza Pura, com Skank, Watch Out, Alex Gaudino. Que festa bacana, divertida, bonita e tranqüila.
Impossível não revelar aqui, nosso sucesso. Como escreveu o Yuri Lopes, no DM, não foi apenas mais um desfile de beleza. O 2º Concurso de Beleza do Bairro Novo Paraíso foi uma oportunidade de confraternização e mobilização na comunidade do Novo Paraíso e adjacências.
Foi um desafio, o deflagrar de uma intenção maior, que é desenvolver com o poder local e o poder público, projetos socioambientais extremamente necessários a esta comunidade e ao bairro.
O Bairro Novo Paraíso se formou há 40 anos; tem uma história em Anápolis e a comunidade merecia esta festa. Contamos com o público da comunidade, que lotou o ginásio do NACRI, um espaço muito organizado. O que mais quisemos foi levar alegria e levantar a auto-estima da comunidade. Ressaltar o belo que há ali, a força, a luta, o poder local. Exercitar a idéia de que "juntos, somos fortes!". Este foi o nosso discurso.
Nossa gratidão ao Batista Custódio pelo estímulo jovial e espontâneo do apoio moral que nos dedicou quando recebeu nossa idéia, ao Yuri do Diário da Manhã, por registrar este início do nosso trabalho nesta comunidade.
Gratidão à companheirada que desde o início se comprometeu com nossa causa: ao Deputado Luis César Bueno, ao querido Donizete, ao belo e bom Cristiano, da SALON, à Ana Luisa, à Sildete, ao Marcos e demais da APROBEL, que estiveram resolutos, conosco; aos toques do Vasco, ao carinho e a atenção do Céser Donizete, da Lúcia e do Prefeito Antônio Gomide, de Anápolis, ao Prof. Augusto César, à Juliana, à Orquestra de Violeiros e à Ângela, da Secretaria de Cultura de Anápolis, ao Secretário Chico Rosa e ao Maurício, da Secretaria de Assistência Social de Anápolis, ao Ten. Péres, da CMTT, ao apoio do Dr. Josias Gonzaga, do José Alberto, do Dr. Wagner e dos amigos da Valec, à disposição em contribuir, do Paulo Taranto da CONCREMAT, do Sr. Antônio Almeida da Kélps Editora, do Vereador Pedro Mariano e de seu chefe de gabinete, camarada Marcos Aurélio, do Sr. Alexandre e Dna. Cleusa, do Carlos Past, do Max Miranda, da Tia Bélica da Belô Confecções, do Sr. Washington da Kuko, do Sr. José e sua família, da papelaria do Cond. Porto Rico, da Profª Virgínia, Sec. de Educação de Anápolis.
Como não registrar solenemente o muito obrigado a quem ligou oferecendo apoio, que foi o amigo inconteste, Sr. Wilson, da WD Construções?
Nosso obrigado pela presença do Armando da Croqui Fashion, à Dna. Jorgina da Casa das Noivas Boa Sorte, às irmãs Rosângela e Rosalina da Lanchonete Irmãs Coimbra, ao Sr. Madureira e ao Marim do CEASA, ao Sr. Rufino e Dna. Mariinha do Tempero e Sabor, à Tia Bélica, da Belô Confecções, ao Genésio, à Neide, esposa do Sr. Luiz Paulo, Presidente da Associação de Moradores e também à Dna. Nelci, ao jovem Augusto, ao Vice Presidente da Associação, ao Sr. Aristidio e aos demais que nos ajudaram nos finalmentes do dia, como o terno apoio da Madalena, da Leila, da Isadora e do Frei Marco Aurélio, da Paróquia de Santana...
Enfim, nosso muito obrigado à confiança que as candidatas e seus familiares tiveram em nós. Meninas humildes, belas jovens, sonhadoras, encantadoras pela simpleza, pela generosidade, pela ousadia de participar, de querer, de exercer poder. A vocês, meninas candidatas e seus familiares apoiadores, incentivadores, muito obrigada!
Aline, Angélica Cristine, Danielle de Carvalho, Danila de Carvalho, Danúbia Maia, Débora de Miranda, Jéssica Gonsalves, Jéssica Lorraine, Keyse Kelly, Estefany Rodrigues, Suzane Jacqueline e Thayane Priscilla, Parabéns!
A comunidade está em festa. Desafios aceitos, objetivos, por ora, alcançados. Graças a Deus.

sábado, 24 de outubro de 2009

O ProJovem Adolescente em Goiânia

* Publicado no Jornal Diário da Manhã em 22.10.09

“É necessário garantir a todos e a todas
as oportunidades para desenvolverem plenamente
suas potencialidades e capacidades e,
assim, viverem de forma digna e autônoma”.
Patrus Ananias

O PROJOVEM ADOLESCENTE – PJA faz parte do Programa Nacional de Inclusão de Jovens (ProJovem) do Governo Federal, inserido no SUAS. É um serviço sócioeducativo de proteção social básica, para garantia da convivência familiar e comunitária e ainda, da inserção, reinserção ou permanência do jovem no sistema educacional com um desenvolvimento integral e contínuo.
Atualmente, 7 milhões de brasileiros entre 18 e 24 anos não estudam nem trabalham, de acordo com a Pnad. São jovens que têm dificuldade de encontrar emprego porque não têm escolaridade mínima e não estudam porque precisam trabalhar.
Segundo a Pnad - Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios do IBGE em 2008, no Brasil existem 492 mil crianças de 10 a 14 anos que não conseguem redigir bilhetes simples.
De acordo com o canal UOL, “o brasileiro fica menos tempo na escola do que deveria. A média nacional de anos nas instituições de ensino em 2008 foi de 7,1 anos para todo o país. De acordo com o consultor em educação da Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) no Brasil, Célio da Cunha, cada cidadão deveria passar, no mínimo, dez anos estudando.
"Com sete anos de estudo, uma pessoa acompanha as demandas do mundo com perda. Há um déficit", afirma Cunha. De acordo com o pesquisador, poucos anos nas instituições de ensino geram pouca cultura para as demandas do século.
O UOL também registra a fala da secretária executiva do Fórum Nacional de Prevenção e Erradicação do Trabalho Infantil, Isa Maria de Oliveira: “Quando há concorrência entre trabalho e estudo, a educação é prejudicada e passa a ser um direito negado. Com isso se dá um círculo vicioso: pessoas sem preparação para o mercado de trabalho, que vão para a informalidade, com rendimentos baixos e acabam formando famílias pobres e repetindo o ciclo da pobreza".
Ressalte-se aqui, que o Estatuto da Criança e do Adolescente, em seu artigo 4º, diz que “É dever da família, da comunidade, da sociedade em geral e do poder público assegurar, com absoluta prioridade, a efetivação dos direitos referentes à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao esporte, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária”.
Então, o PJA devolve às famílias, esta responsabilidade, o que não quer dizer que o jovem tenha perdido seu protagonismo juvenil, assim como o fato de possuir cartão de banco e receber diretamente uma bolsa, não garantiu os referidos direitos à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao esporte, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária.
O SUAS – Sistema Único de Assistência Social, regula e organiza as ações sócio-assistenciais tendo como alvo a atenção às famílias, seus membros e indivíduos e como base o território em questão. A matricialidade sócio-familiar reconhece que a família é o eixo da vida social e necessita da proteção social do Estado diante das desigualdades sócio-econômicas, traduzidas na pobreza e na vulnerabilidade social da família em seus diferentes ciclos de vida.
As famílias beneficiárias do Programa Bolsa Família têm incluídos na transferência de renda que recebem, o valor correspondente a cada jovem com idade entre 15 e 17 anos, presente na casa. Este (a) jovem deve fazer parte, então, do coletivo do PJA mais próximo de sua residência.
O trabalho sócioeducativo do PJA persegue, junto aos jovens, o aprimoramento da “capacidade de ouvir, de se expressar, de exercitar a flexibilidade e a tolerância diante das diferenças, bem como, de mediar conflitos, negociar interesses, construir consensos, identificar interesses comuns, criar, projetar e assumir compromissos”, através de uma formação para a cidadania, que pressupõe “a sensibilização e o desenvolvimento da percepção dos jovens sobre a realidade social, econômica, cultural, ambiental e política em que estão inseridos”.
No ProJovem Adolescente, “as dinâmicas que envolvem a convivência social são foco de aprendizagem contínua que transversa todas as atividades propostas, assim como os temas transversais da educação”, e “a Formação Técnica para o Trabalho – FTG, embora não vise à qualificação profissional, é imprescindível para a socialização e o desenvolvimento de valores e habilidades que estruturam o (a) jovem para a vida em sociedade”.
Em Goiânia, é a Secretaria Municipal de Assistência Social – SEMAS, da Prefeitura Municipal, o órgão responsável pelo ProJovem Adolescente, que está presente em 11 Centros de Referência em Assistência Social e em 10 instituições conveniadas, desenvolvendo um trabalho pluridimensional, que extrapola o âmbito da condição concreta de ser humano, o que imprime ao PJA, a necessidade de que se desenvolva de forma planejada, através de parcerias com o poder público e a sociedade, integrando instâncias necessárias ao desenvolvimento pleno dos (as) jovens envolvidos neste processo.

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Vi o mundo, o amianto, o parlamento e o Goiás

* Publicado no Jornal "Diário da Manhã" em 01.10.2009

Enquanto no parlamento goiano, nem os que se colocam a favor do cerrado, pelo desenvolvimento econômico sustentável, na defesa do meio ambiente, nas lutas da classe trabalhadora ou, pela saúde como direito e parte da dignidade humana, promovem discussão sobre o banimento do amianto, o site viomundo, do jornalista Carlos Azenha publicou, em 25 de agosto, artigo com o título “Amianto: Médicos brasileiros passam a perna em canadenses”, que revela a fraude das pesquisas encomendadas ao Instituto Brasileiro do Crisotila, criado e mantido pela SAMA com a ajuda ilegal de verba pública.
O artigo conta que a médica Margaret Becklake, professora do Departamento de Epidemiologia, Bioestatística e Saúde Ocupacional da McGill University e o médico Nestor Müller, professor do Departamento de Radiologia da University of of British Columbia (UBC) foram citados como integrantes do projeto Asbesto Ambiental, do IBC, que apresenta conclusões quanto ao uso do asbesto (amianto). Os dois, não só desmentiram, aviltados, a participação neste “projeto”, como também declararam não concordar com os resultados apresentados.
O médico Nestor Müller, disse: “Eu fiquei chocado com a informação de que um projeto financiado pelo Instituto Brasileiro do Crisotila lista meu nome como um dos apoiadores internacionais. Eu asseguro a você que eu nunca nem soube que tal instituto existia. Eu não quero, de forma alguma, ser associado com um instituto que afirma em seu website que um de seus objetivos é "defender o uso controlado do amianto crisotila”. Eu sou contra o uso do amianto, porque acredito fortemente que se constitui num risco para os trabalhadores e consumidores.”
A médica Margaret Becklake enviou email à Marina Júlia de Aquino, presidente do IBC, com cópias ao viomundo e às instituições que tiveram acesso à publicação da “pesquisa”, afirmando: “Fui informada por Conceição Lemes que meu nome está vinculado com a nova pesquisa intitulada "Exposição Ambiental ao Amianto" pelo IBC (Instituto Brasileiro do Crisotila). Eu não estou envolvida com tal pesquisa e requeiro que vocês removam meu nome e o de minha universidade (McGill University) de seu material publicitário. Confirme o recebimento deste. Por favor, me informe também quando você tiver feito isto.”
“Fiquei horrorizado e escandalizado de ver tudo isso”, afirmou Colin Soskolne, professor de Epidemiologia da Escola de Saúde Pública da Universidade de Alberta, categórico ao garantir: “Do ponto de vista de saúde e de políticas públicas, fazer mais pesquisas para demonstrar os riscos associados à exposição à crisotila é desperdício de recursos... todo tipo de amianto, inclusive a crisotila, tem de ser banido.”
Kathleen Ruff, consultora sênior em Direitos Humanos para o Rideau Institute on International Affairs, disse ser “impensável que universidades canadenses quisessem ter, de alguma forma, seus nomes usados para promover os interesses do lobby do amianto no Brasil e divulgar informações que não correspondem à verdade sobre a fibra comprovadamente cancerígena. A conduta do IBC e da indústria brasileira do amianto de disseminar propagandas enganosas é totalmente imoral”, acusa Kathleen.
Não foi a primeira vez que isto aconteceu. De 1996 a 2000, os mesmos “pesquisadores” Ericson Bagatin, Mário Terra Filho e Luiz Eduardo Nery realizaram a pesquisa “Morbidade e Mortalidade entre Trabalhadores Expostos ao Asbesto na Atividade de Mineração, no período de 1940-1996”. Nessa, foi dito que o estudo teve apoio internacional de uma prestigiada instituição dos Estados Unidos, o NIOSH (Instituto Nacional de Segurança e Saúde Ocupacional, correspondente à nossa Fundacentro).
O médico John E. Parker, professor de Medicina Pulmonar e Cuidados Especiais, representando o NIOSH, desmentiu: “O NIOSH não examinou, nem endossou ou apoiou financeiramente o projeto e o relatório deve ser corrigido...”.
Foi dito que essa pesquisa seria financiada pela FAPESP, que não sabia que mais de 50% dos recursos viriam de empresas interessadas na aprovação do amianto. O médico Paulo Saldiva, professor da FAPESP, assim que soube, se retirou da pesquisa e afirmou: “O amianto é cancerígeno. Eu defendo o banimento total dele no Brasil.”
Assim também, fez Eduardo Algranti, doutor em Saúde Pública, pesquisador e pneumologista da Fundacentro, órgão ligado ao Ministério do Trabalho e Emprego, que ainda, afirmou em entrevista: “Eu participei de um grupo do International Asbesto Removal (IAR), levantando dados brasileiros de mortalidade, e o resultado foi absolutamente vergonhoso... como brasileiro e integrante do grupo, me senti extremamente mal, na medida em que recebi os números referentes à mortalidade por inalação de amianto do Brasil e percebi que parecem números de países em que praticamente não há consumo de asbesto, o que não faz o mínimo sentido... um descaso crônico histórico e de mau gerenciamento de recursos públicos na área de saúde, que vem correndo já há décadas”.
Mais que vergonha, um crime.
A despeito do meio político, em Goiás, o Ministério Público do Trabalho, por intermédio da Procuradoria Regional do Trabalho da 18ª Região, instaurou Inquérito Civil em 14 de setembro último, solicitando a DISSOLUÇÃO do INSTITUTO BRASILEIRO DO CRISOTILA – CRISOTILA BRASIL - OSCIP, “pelas práticas ilícitas que vem perpetrando”.
Impossível descrever, aqui, o conteúdo desta ação, de número 1402-2009-011-18-00-3 em curso na 11ª. Vara do Trabalho, embora valha à pena conhecer os crimes absurdos ali apresentados, na defesa do poderio econômico e político dos defensores da exploração, industrialização e do comércio do amianto.