terça-feira, 26 de setembro de 2017

A panaceia da solidariedade no poder público e a política de Assistência Social brasileira

*Artigo publicado no Jornal "Diário da Manhã", em 02 de março de 2015: http://impresso.dm.com.br/edicao/20150302/pagina/23


Tu, porém, quando deres uma esmola ou ajuda, 
não deixes tua mão esquerda saber 
o que faz a direita...
Quando deres um donativo, 
não toques trombeta diante de ti...”.
Mateus 6:2-3

Solidariedade é questão pessoal. Fundamental em qualquer relação e/ou sociedade. Assistência Social é outra estória. E tem História!
Nos anos de 1960 começou no Brasil e na América Latina, a Reconceituação do Serviço Social, profissão responsável por assistentes sociais, profissionais que deveriam ser responsáveis pela Assistência Social no Brasil, que a declarou, a partir da CF-88, uma política pública de direito e de direitos.
Diferentemente dos anos 1660, quando damas da aristocracia europeia ofereciam ajuda a doentes e pobres, marcando aí a gênese caritativa do trabalho social, a partir de 1960 em um Encontro de Escolas de Serviço Social no Brasil, em Belo Horizonte, o Serviço Social adquiriu ares de engajamento político e compromisso com a transformação social, ainda identificado com o pensamento da Igreja Católica, alinhado com o Movimento de Educação de Base, mas já sob a luz da encíclica Rerum Novarum, que critica a miséria e a pobreza dos trabalhadores, defendendo salários justos e denunciando o capitalismo selvagem e os patrões desumanos.
A partir dos anos 90 no Brasil, o neoliberalismo econômico marcou também a política de Assistência Social ao entender a desigualdade social como um fator positivo e indispensável para impulsionar a competitividade na sociedade, o que é fundamental para o seu desenvolvimento.
O neoliberalismo, que se caracteriza pelo Estado mínimo, reduz as intervenções do Estado no campo social, apela à solidariedade e se apresenta como parceiro da sociedade em suas responsabilidades sociais, através da “mercadorização” dos atendimentos às “necessidades sociais” e da transferência das suas responsabilidades governamentais para as “ong’s”, organizações não governamentais, privatizando os serviços e centralizando poderes no Mercado, que deve suprir, na lógica da mercantilização, as necessidades humanas, vinculadas ao mercado de consumo e não aos direitos humanos, sendo o cidadão visto pela sua capacidade de consumo.
Os direitos sociais cada vez mais passam a ser entendidos como necessidades sociais, no ideário neoliberal, que desloca para a sociedade civil as responsabilidades do Estado, apelando para o discurso da solidariedade e para a ideia de “bem comum”, que esconde por trás dessa concepção a desresponsabilização do Estado, fortalecendo o capitalismo perverso, potencializando as desigualdades em prol do fortalecimento da lógica do modo de acumulação, em detrimento de lutas e conquistas históricas, sociais e políticas.
Com tudo isto, após os intensos movimentos sociais e culturais de 60, 70 e 80, a partir dos anos 90, as expectativas dos movimentos sociais com a transformação social se traduziram nas adesões à dinâmica neoliberal, através das parcerias institucionais, e as ong’s abriram mão da concepção das políticas públicas enquanto direito; a participação nos projetos do governo substituiu as lutas e criticas a sociedade capitalista, a serviço de uma agenda neoliberal. Abandonaram discursos, bandeiras e as práticas transformadoras e têm, ainda, forte cunho assistencialista; a maioria trabalha à revelia das regras e regulações do Suas.
Compreender a Lei do SUAS – Sistema Único de Assistência Social, em vigor no Brasil, e agir de acordo com ela, é promover a participação política, o exercício efetivo da democracia nas instâncias da assistência social e por fim, o exercício da cidadania.
O Suas sabe que a questão não é integrar o indivíduo, pois o indivíduo está integrado, com papel definido no atual contexto da diferença de classes. O papel da Assistência Social deve ser transformador, através da organização das classes trabalhadoras.
A Assistência Social é direito constitucional e, portanto, dever do Estado. A Assistência Social no Brasil deveria ter comando único, isto é, todo trabalho social deveria se orientar de acordo com o Suas, e este, pelas conferências municipais, estaduais e federais.
No Brasil, mesmo os governos considerados de esquerda, mantém a política de Assistência Social no viés imposto nos anos 90, por FHC. As instâncias reguladoras desta política não se posicionam. Contraventores, corruptos, enganadores diversos e pessoas de bem, não politizadas, defendem e praticam a “caridade” através das ong’s, garantindo lugar no céu, recebendo recursos públicos e contrapartidas pessoais e ainda, contribuindo com a reprodução da atual situação de caos social em que nos encontramos com tanta violência e barbaridade, nos campos e nas cidades, impedindo profissionais devidamente preparados para este enfrentamento, de atuarem de forma técnica e eficaz.
E na assistência social oficial, pasmem: Pensa-se que o bacana é “dar o cartão magnético” para o povo comprar, é “dar o bolsa-família”, que tanto criticávamos, é “dar” brinquedo e lanche no Dia das Crianças e no Natal, repetindo o calendário escolar como se isto amenizasse riscos e vulnerabilidades dos outros dias do ano. Ainda, na assistência social brasileira, pessoas “boazinhas ajudam carentes e mais necessitados”...
Muito cruel.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

O TEDx Gyn e alguns aprendizados para um mundo melhor

*Publicado no Jornal Diário da Manhã em 03/02/2015 Participei, em 2014, do TEDx Gyn, que foi realizado no Cine Goiânia Ouro. É um evento anual que reúne pensadores, empreendedores, artistas e ativistas para compartilhar idéias que fazem a diferença na construção de uma sociedade melhor, sob o lema “Idéias que merecem ser espalhadas” e o tema "Unidade na Diversidade". Oportunidade ímpar para mim, que estou há muito tempo afastada de grupos de estudos, discussões e filosóficos, ávida para retornar a este mundo de esperanças e realizações na busca do Bem comum. Evento com padrões e alcances internacionais, o TEDx Gyn foi extremamente agradável, fluido, rico e frutuoso. Várias personalidades locais e de fora, transmitiram a nós, da platéia, conhecimentos inovadores e renovados; refizemos valores e fomos provocados para termos olhares críticos e pensamentos positivos, criadores. Também renovadores, foram as paradinhas para as prosas com lanches super caprichados. Rafael Barbosa, engenheiro mecatrônico, falou sobre a necessidade da descentralização de recursos no atual sistema de produção capitalista e da força dos bancos, que dominam toda a rede produtiva, encarnando o verdadeiro poder hegemônico no país. Falou também, sobre as “plataformas de multiserviços e produtos”, empreendimento no qual ele está atuando e que conecta, em rede, diversos interesses e campos profissionais, facilitando o cotidiano e ampliando a qualidade de vida. Ativista política na Argentina, Pia Mancini, através de um telão, expôs a ferramenta Democracy OS, enquanto forma de articulação alternativa que substitui “vácuos de poder” no enfrentamento dos desafios que, segundo ela, são, principalmente, culturais, e não tecnológicos, já que os partidos não estão dispostos a mudar a forma como decidem. Pia Mancini falou sobre seu sistema político de 200 anos, apontando nele, a falta de representatividade pela falta de diálogo; um sistema no qual representantes apenas se representam e que não admite lugar para todos à mesa. Que “utiliza ferramentas de ontem, na solução de problemas de hoje”. Também, Pia ressaltou que o Democracy OS fundamenta decisões com a ampliação do conhecimento e da participação social. A pedagoga Simone Guedes, que também é escritora, recorreu a Nelson Mandela para despertar a crença e a possibilidade de mudanças quando se quer “mudar o mundo”, frisando a necessidade da atenção, do respeito, da valorização e do estabelecimento/fortalecimento de vínculos , nos processos educativos. Falou, com restrições, da terceirização da Educação, pela família e a sociedade, já que elas delegam à escola, a “missão” de formar boas pessoas. Ressaltou a importância do fortalecimento das famílias frente à atual realidade, que revela que no Brasil, apenas 25% dos pais acompanham a rotina escolar de seus filhos, enquanto que nos países ricos, esta taxa chega a 65% e lembrando o ideal, que é o fato de que, além de estar presente nas lições escolares, a família precisa promover a cooperação e o bom convívio familiar, que são os pilares da segurança emocional e do sucesso do indivíduo adulto. Citou Rubem Alves e evocou escola, família e sociedade juntas, para a construção de um mundo melhor. Tivemos a presença do educador físico, mestre em educação, prof. Altemir Dalpiez que falou com muita propriedade sobre os desafios da Educação no Brasil, lembrando que repetiu a antiga 6ª série, atual 7º ano, por três vezes. Ele nos contou: “_Eu suportava a escola e ela, a mim, até a 6ª série...”. Prof. Altemir valeu-se de sua trajetória escolar para nos fazer refletir sobre medos, descrenças, paixões, expectativas, frustrações, alegrias e descobertas, através do processo educativo que precisa ser reconhecido e tratado como processo vital e para a vida. Falou de seu crescimento e auto-afirmação através do futebol, na escola e depois, quando começou a liderar grupos futebolísticos e de como criou uma “escolinha”; de suas ricas experiências nesse campo, desde quando descobriu o “poder do apito”. Reclamou pelo fato de que a escola “tem uma parcela de culpa pelo medo que as pessoas têm de falar em público”. E também, da distância que existe entre a escola e a realidade, sendo que estas diferenças castram, com o tempo, a capacidade de os indivíduos “decifrarem os códigos” da vida na prática, ressaltando ser fundamental, o conhecimento da realidade, para a sua mudança. Criticou veementemente o sistema avaliativo escolar que não permite provas de consulta, dando vários exemplos de que “a sociedade faz consultas o tempo todo”, inclusive nas provas universitárias, evidenciando a interatividade e a capacidade crítica enquanto alavancas para as mudanças sociais que preconizamos, e ainda, evidenciando que “cabe ao professor provocar o espanto”, citando Rubem Alves. O ativista dos direitos humanos, Sr. Iradj Roberto, que também é mestre em engenharia eletrônica marcou presença provocando a todos defendendo a certeza de que “compomos uma única espécie: a humana”. Apontou como um grande desafio para a humanidade, “a visão do todo social”. Citou Gilberto Freire questionando a “cordialidade” entre negros e brancos e colocou na bandeira da luta pela igualdade racial, a chance de rompermos com as desigualdades que agridem e que nos saltam aos olhos, lembrando, que mesmo não tendo a pele negra (e que isto era um contrasenso para alguns) e sendo ativista deste Movimento, sabe que “não pode se apoderar das causas sendo um “analista branco”. O Sr. Iradj nos contou que deixou de acreditar no mito da democracia racial no Brasil, ao observar a ausência de negros nos lugares um pouco mais “refinados” em que estava, nas esferas de poder, nos campos de intelectuais. Citou, neste sentido, a lógica da anestesia pelo SUS, que privilegia mulheres brancas por entender que “as negras são mais fortes”. Myrella Brasil, bióloga, mestre em biologia molecular e pesquisadora na área de genética, “pazeou” em cima do tapete vermelho, como ela poderia dizer. Contou-nos sobre sua mudança com marido e filhos, para a cidade interiorana e espiritualística de Alto Paraíso em Goiás, pensando em ajudar e afirmando ter sido ajudada, pois saiu da rotina de stress em que vivia com sua família, sendo que a primeira lição foi a de aprender a “estar junto”, realmente, vivenciando a simplicidade e priorizando o “ser”, percebendo a “multiplicidade que vira unicidade”. Revelou que isto só foi possível quando percebeu que temos vários “eus” que brigam pela posse de uma unidade comum, no exercício do autoconhecimento. Para ela, esta é a forma de sermos seres íntegros, integrais, e não em pedaços. Salientou que precisamos entender o que “nossos eus” nos dizem, entender quem somos e principalmente, que precisamos ser mais humanos. Myrella Brasil afirmou que a gratidão é sempre uma forma de reverência ao criador e à Sua obra, e nessa linha, ressaltou a importância de buscarmos sempre o carinho, o respeito e o amor para conosco mesmos, sendo que para um mundo melhor, temos que, a cada dia, nos transformar também, em pessoas humanas melhores, mais conscientes das diversidades do universo e mais juntos, nessas diversidades. Francisco Carlos Gomes, mestre em psicologia social, falou conosco sobre o sentido da vida e o medo da morte, afirmando os sofrimentos físico, dimensional, social e espiritual da morte e citando Victor Frankel, que nos diz que, apenas uma faísca de sentido pode romper com um dos elementos da tríade trágica da vida: sofrimento, culpa e morte. Salientou que o trabalho com pessoas fragilizadas por terem “perdido o sentido da vida”, como por exemplo, um paciente de câncer, ou alguém que tenha sofrido uma desilusão amorosa grave ou uma perda muito significativa na vida, é preciso que se mude o campo de visão dessa pessoa para que ela tenha novas dimensões e alcance novos interesses, expectativas e situações de conforto. Dr. Francisco explicou que a idéia da morte pode nos salvar, pois pensar que vamos nos acabar a qualquer momento pode nos levar a realizar ações com sentido e a vivenciar mais e melhor o hoje, o agora. José Eduardo da Silva, assistente social, mestrando e ativista dos Direitos Humanos, falou do fato de que todos somos frutos de discursos que negam direitos através de violações maquiadas que favorecem quem viola os direitos, apesar das lutas contra o racismo e pela diversidade cultural, revelando exemplos próprios, como quando sua mãe, negra, fora tida como trabalhadora da própria casa, por um vendedor desconhecido, que lhe batera à porta, indagando pela patroa. José Eduardo falou da luta pelo reconhecimento quanto à discriminação racial não só de negros, mas também de índios, ciganos e de todas as minorias; falou da importância dos espaços institucionais para a força dos movimentos de defesa dos Direitos Humanos e citou Milton Campos para afirmar que tão importante quanto o Movimento Negro é o negro estar em movimento, pois que a luta é permanente. José Bosco Carvalho, publicitário, eletrotécnico, poeta e socioambientalista que se auto-intitulou como “biodesagradável”, traduziu a sustentabilidade em duas palavras que devem estar associadas: tolerância e respeito; falou sobre suas experiências neste campo de estudo, afirmando que o mais valioso aí, são atitudes simples e rotineiras, que infelizmente não estão sendo valorizadas. Marcela Uliano, bióloga e doutoranda do Instituto de Biofísica da UFRJ, falou sobre a maravilha que é o fato de “código da vida” estar contido em apenas 4 variáveis: "_Todo ser vivo vem de um único código da vida: ACTG”. Encantadora e impressionante. Além de sua narrativa, apresentou-nos um power point que foi uma viagem, sobre o Código da Vida e a luta por um mundo melhor. Marcou muito criticamente, três indicadores fundamentais básicos para o trabalho na construção deste “mundo melhor”. A redistribuição da renda, a educação sexual e o saneamento básico, afirmando que as iniciativas científicas devem ser respostas às mudanças sociais necessárias para esse mundo melhor, sendo estes dois, pilares básicos desta construção. Além do estudo, Marcela prega a divulgação do pensamento científico, que firma os valores em fatos e evidências e assim, pode contribuir na construção de um mundo melhor, mais igual e sem preconceitos. Também através de um telão, Pico Iyer, romancista inglês, filho de pais indianos, que cresceu na Califórnia e está radicado no Japão, figura enigmática em sua simplicidade, falou sobre a importância do “ir a lugar nenhum”, do “ficar quieto”. Falou de como perdemos contato conosco mesmos. Citou o consultor irlandês Kevin Kelly e os necessários “shabat da internet” e também, Allan Cohen e o “poder das idéias antigas”, garantindo e mostrando como, “em uma era de aceleração, nada é mais emocionante e necessário do que ir devagar”. Para finalizar, Dulce Magalhães, que é ‘tecelã’ da Rede UNIPAZ e uma das 100 Lideranças da Paz no Mundo pela Geneve for Peace Foundation; trabalha na elaboração de um Programa Global de Cultura de Paz, coordenado por Bill Clinton, ex presidente dos EUA, e nos chamou à espiritualidade nos contando uma história sufi, de peixes, e a busca cega que tinham, para falar sobre crenças, irrelevâncias e a verdade da realidade da vida, que é o que é, traçando-a como uma ponte entre o nascimento e a morte. Dulce concentrou a importância da vida na interface ser feliz e fazer feliz. Discorreu sobre os corações pesados e a leveza do “Ser”; sobre o perdão, que significa “abrir mão” de uma carga, um peso. Disse-nos que a sintonia básica da paz é a gentileza, lembrando que a palavra religião vem da palavra religare, o que quer dizer que a religião deve ser um meio, um canal, um elo de ligação com o Deus Criador, com o Universo. Finalizou agradecendo e dizendo-se feliz por perceber que “nós somos loucos, mas não somos poucos”. Além de contemplar-nos com as falas, o TEDx Gyn 2014 nos ofereceu um ambiente amoroso e informal, embora muito organizado. Sam Cyrous, que é psicólogo, professor e curador do Evento, está de parabéns, juntamente com Arthur da Paz, Flávia Moiana e toda a equipe, e claro, parabéns também as parcerias que contribuíram com o evento. Fico querendo um evento de participantes, em que possamos falar sobre o que ouvimos, contrapondo com o que vivenciamos. Seria lindo, também.

quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

Carta Aberta à Draª. Walderez Loureiro, Mestra no Serviço Social

*Publicado no Jornal Diário da Manhã em 29/01/2015
À par de meus cumprimentos, utilizo-me deste meio para solicitar o posicionamento da senhora quanto ao pedido que protocolei no CRESS/GO-19ª Região, no ano que passou, conforme fui orientada pela administração do mesmo. Muito aguardei, após o telefonema que a senhora me fez, quando conversamos longamente e a senhora me garantiu que providências já estavam sendo tomadas. Um ano se passou. A nova gestão, eleita com apenas 20% dos votos válidos e por isto, ao meu ver, ilegitimamente, após novos reclames meus, chamou-me à sede do Cress/GO, onde meu filho primogênito e eu estivemos conversando por horas com a Presidente e a senhora Ana Maria Trindade. Ambas reiteraram a garantia das providências e a compreensão quanto à minha situação e solicitação. No entanto, nada aconteceu, ainda. Dirijo-me à senhora, diante do respeito e da admiração que nutro pela sua qualidade como profissional do Serviço Social. Nos idos tempos dos anos 80, na antiga UCG, falava-se muito no SER, sobre sua trajetória e intelectualidade. Acompanhei o trabalho da senhora quando retornou do doutorado na Europa e quando atuou junto à gestão do Prof. Pedro Wilson, na Prefeitura de Goiânia. Não sei se a senhora continua atuando na PUC. Embora o Cress tenha mudado a gestão, recorro à sua palavra, pois ainda acredito em palavra empenhada. Estranho muito o silêncio do Cress, que já não me responde. A Presidente do Cress trabalhou comigo quando coordenei o PAIF, na antiga Fumdec e conhece minha seriedade e dedicação no Serviço Social. Sendo profissional, não deveria recuar da própria palavra também, pois está ferindo nosso Código de Ética internamente, como se já não bastasse a negligência deste Conselho profissional quanto à divulgação, para as autoridades e a sociedade em geral, de informações sobre nossa atividade laboral e quanto à precariedade das condições de trabalho e dos serviços da Assistência Social nesta 19ª Região. Isto, mais me fortalece, no sentido de buscar a honra de nossos preceitos éticos, políticos e metodológicos, conforme nossos compromissos profissionais, pois é uma maneira de deflagrarmos uma luta para o entendimento da Reconceituação do Serviço Social em busca do respeito a uma Assistência Social fidedigna, coerente com nossas prerrogativas. Se sequer nos respeitarmos enquanto profissionais dentro de nossa própria categoria, é natural que não sejamos respeitados fora, nas instituições nas quais trabalhamos, com nossas chefias desavisadas e ignorantes de nosso papel e de nossas lutas históricas. Conto com a compreensão da senhora e a atitude, no sentido do encaminhamento de minha solicitação, com o cumprimento das palavras que a mim foram empenhadas. Sem mais, no momento, agradeço a atenção desejando-lhe um 2015 repleto de bençãos realizadoras. Atenciosamente.

Por entre pensamentos grandiosos, pedantismos e viscosidades

*Publicado no jornal Diário da Manhã em 10/01/15

Ter estudado em bons colégios católicos, me garantiu boa formação cristã e fui bem despertada para o interesse no conhecimento. Em casa, desde pequena, vejo meus pais lendo jornais, livros, revistas, fazendo palavras cruzadas, conversando sobre diferentes assuntos e sendo solidários às causas que lhes chegam, sempre participando das questões em voga. Quando pequena e até certo tempo, tive alguma dificuldade com questões relativas à localização/espaço. Também tive a fama de ser lerda, polêmica, briguenta. Outro dia, no trabalho, reencontrei uma colega de universidade que me indagou se continuo “doidinha”; muitas pessoas na faculdade me acharam doidinha, apenas porque eu desafiava e aceitava desafios àcêrca dos pensamentos. Agora, pasmem: outro dia, eu chegava ao caps, meu local de trabalho, quando também chegavam três motoqueiros muito barulhentos, sendo que um deles acelerou seu motorzão várias vezes, na porta do estabelecimento, depois de quase me atropelar na calçada, o que me obrigou a entrar reclamando, por entre eles e chamando a atenção dos mesmos, diante de tanta balbúrdia. Haviam outros “moços” do porte deles, lá na entrada, aos que eles se juntaram. Eles galhofaram da “represália”, concordando comigo. Pois, pois: Ao adentrar meu recinto de trabalho, reencontrei ali, conversando com minha diretora, a colega assistente social, que já era policial à època da universidade. Soube que ela estava ali, com os “moços” barulhentos lá de fora, para entenderem melhor o serviço realizado pelo Caps AD, já que a cidade deles, na região metropolitana de Goiânia, estaria implantando um; então, entendi que todos eles seriam policiais e que ali estavam, à paisana, para uma atividade meio que “extra”... Por fim, quem os recebeu e conversou com eles, de pé, ali, na entrada, pelo lado de fora mesmo, em decorrẽncia da falta de espaço, fui eu, em um papo descontraído e muitíssimo proveitoso. Cumprimentei a todos pelo desprendimento para o conhecimento sobre o que é o trabalho psicosocial em saúde mental, e à colega, pela iniciativa, que deveria ser mais sistemática e institucionalizada, para estudos e atividades comuns. Foi uma experiência inusitada, como muita coisa, em minha vida. Estranhamente, também sempre fui considerada boazinha, pacífica, serena. Intelectual. Recentemente passei a ser considerada engraçada. Engraçado, isto. Comigo mesma, sempre que sentia-me sutilmente oprimida, entalada, fora de lugar, fora do eixo, ia tentando me adequar, sem me descaracterizar, claro; e ainda é assim. Nunca me importei com o que pensam ou dizem sobre mim, embora sempre preste muita atenção em mim e nas pessoas. Já falei mais de mim, quando perguntavam. Hoje me cansei das estorinhas e falo bem menos; quase nada. Também sou muito avessa a falar de pessoas, de modo fofoquento, embora goste de ler, eventualmente, notícias da vida alheia. O ser humano me interessa. Li muito e conversei muito também. Nada muito direcionado, nada de buscas específicas, tudo conforme as possibilidades. No início do ano 2000 já havia publicado cartas e artigos, em jornais, sobre assuntos de meu interesse, geralmente voltados às questões relativas às políticas públicas; questões socioambientais. Só hoje entendo a razão dos vômitos e do mau estar que me causaram escrever alguns artigos, pois vejo que estão na contramão das idéias reinantes. Andar na contramão é sempre perigoso, mesmo no campo das idéias. Nunca me importei de ser chamada de doidinha, mas o boazinha me incomodou muito, durante um tempo em que observei se minha bondade era para garantir aprovações e/ou ganhos e comecei a me achar meio malvada, por não me dispor a trocar bondades, algumas vezes, neste mundo de meu Deus. Também percebi que muitas vezes deixava de ousar, como quando criança, quando eu via que a ousadia de minha irmã mais velha lhe rendia alguma represália. Comecei a tomar remédio controlado muito cedo, depois de um acidente no qual minha cabeça levou uma pancada. Ao ficar noiva, larguei-os por conta própria; detestava remédios. E também, as injeções para anemia. No ano passado, depois de uma crise longa de fibromialgia, sem médico reumatologista, nem ortopedista, nem acupunturista e nem neurologista, encontrei um psiquiatra que me diagnosticou com bipolaridade; estava muita mal à época e não me importei com o diagnóstico, até brinquei, dizendo que até a Terra é bipolar e justificando com minhas múltiplas tarefas e funções e com o fato de que minha vida tem sido muito instável, nas últmas décadas. Comentei que já sabia, mas que sempre conseguia manter-me no polo positivo, mas que naquele momento, não estava dando. Eu estava muito dorminhoca, chorona e agressiva, nas palavras. Posteriormente, um primo psiquiatra disse-me, quando fui à clínica dele visitar um “impaciente” querido, lá do meu trabalho, que eu seria hexapolar, mas que eu estava ótima... Rimos um bocado. Gostei muitíssimo, dele. Esse primeiro psiquiatra que citei, deixou de atender por estar convalescendo, após ter sofrido um acidente ciclístico terrível, onde batera a cabeça. Passei por outros e outras medicações que não deram certo e alguns neurologistas, até que um me pediu um mapa cerebral. Embora tenha dado um resultado muito insignificante para os médicos, todos me receitam medicamentos com os quais não me adapto. Nenhum explica realmente o resultado do exame. Estive estudando os termos que encontrei no exame e comparando com os resultados que tive, na infância. Voltei a me interessar por leitura, com isto, mas até compreender que teria uma sobrevida de cinco anos, aconteceu. Pensei nos parentes próximos, de saúde mental comprometida e em meus pais, que são primos. Compreendi o valor do Ferro para o cérebro, e que talvez, eu tomasse remédio para anemia na infância, por recomendação psiquiátrica... Desisti de entender os exames e de tomar os remédios, por hora; estou conseguindo controlar um pouco, os “gatilhos” que desencadeiam os sintomas da fibromialgia, que é o que incomoda. Fiquei mais de mês em terapia, com psicóloga. Nesse processo, confirmei que realmente, as luzes do belíssimo show de Paul McCartney tiveram influência no comportamento que tive, nos dias que se seguiram. Li um pouco sobre auras gástrica e extática e pensei sobre os soluços que tenho, em determinadas situações; e sobre as tonturas, a quietude e sobre o fato de ter ficado enxergando em preto e branco, há três anos, sob forte stress. Sobre os momentos e experiências que eu considerava como “espirituais”. Sobre o meu faro fino, a minha oralidade e a extrema gratidão que sinto, pelo que sou grata. Percebi em meu comportamento, um certo pedantismo, a viscosidade, a querelância. Admiti que sou faladora e que às vezes adquiro ares de arrogância. Tenho achado tudo muito interessante. Mas não quero deixar de lado minhas “idéias grandiosas”. Sinto por ter parado a medicação, mas não tolero muito os efeitos colaterais, ainda que os remédios me ajudem, inicialmente. Agora, novamente conseguindo organizar as ideias, não trabalho mais com saúde mental. Entendi, certa manhã, que deveria obedecer a outra parte que os médicos me recomendam e agora trabalho com turismo, esportes e lazer. Antes, eu dizia que me sentia muito em casa e agora, continuo assim. Acho, na verdade, que sou meio cigana. Feliz Ano Novo para nós!!!

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

Resposta à Presidente Dilma Roussef


*Artigo publicado no jornal Diário da Manhã em 29/12/2013


Recentemente, a senhora disse que "cabe a todos nós, servidores públicos, responder essas vozes" que clamam por soluções para as mazelas de nosso país e por qualidade nos serviços públicos.
Sou servidora pública desde 1990 e há 4 anos sou concursada.Tive a oportunidade de trabalhar muito com o PT e conheci bem de perto as teorias que me convenceram a acreditar nos programas do seu partido. Fui militante. Sai por não ver acontecer nada do que era a proposta inicial. Já no primeiro discurso de posse de Lula, fiquei desapontada e aos poucos percebi que estava acontecendo com o PT, o que eu previ em 1993. Aqui estamos.
Luto muito para defender o que aprendi quando estive no PT, não desistirei nunca!
Então, peço à V. Excelência, que se atente às mudanças de concepção que se fazem necessárias nesta era de transformações socioeconômicas.
O Prof. Márcio Pochmann, doutor em Ciência Econômica, já disse que “continuamos discutindo as condições de trabalho como herdeiros do capitalismo do século XX”, afirmando que “é preciso considerar que estamos diante de uma nova possibilidade técnica de organização do trabalho, com jornadas diárias menores e ingresso no mercado de trabalho somente aos 25 anos”, considerando que “antes, a pessoa deve ser totalmente integrada a uma educação que deve ser recebida ao longo de toda sua vida, diante da complexidade da sociedade contemporânea”.
Chega de não ver que a juventude serve de mão de obra barata e ocupa vagas que serviriam para chefes de família e que o baixo poder de compra salarial remete famílias inteiras ao mercado de trabalho, aumentando o exército de reserva. E que as famílias, quase nunca conseguem garantir aos seus membros, saúde, educação, lazer, moradia e transporte com dignidade mínima, nos serviços públicos, embora os tributos fiscais destinados a garantir estes direitos básicos, onerem mercado e sociedade. O trabalho na juventude é, estatisticamente, motivo de evasão escolar, e esta é a causa da falta de qualificação profissional no mercado.
Quero aqui, discordar da forma com que é tratada a questão do trabalho. Da idéia purista de que “o trabalho dignifica o homem”, mas que não pondera que o trabalho não é uma exclusividade material ou física, considerando que ele também se resulta de atividade afetiva (emocional) e intelectual (cognitiva).
Na verdade, acredito que se pensarmos bem, não permitiremos a entrada de pessoas em formação, no mercado de trabalho, pois este é um campo perigoso, pernicioso mesmo, repleto de maus costumes e de exploração. Além do mais, ao adentrar o mercado, o (a) jovem passa a ser responsável por si, a ir e vir por conta própria; em contrapartida, tem menos tempo para o convívio familiar, para os estudos, o lazer; adquire maus hábitos pessoais e sociais.
Também não comungo das maravilhas das creches e escolas integrais. Estas, devem valer como opção, não condição ou ideal. É a família que deve criar seus filhos, não o Estado. A prerrogativa das escolas integrais e creches é parte da idéia desenvolvimentista, e deveria ter sido efetivada nos idos dos anos 70, mas já não servem para este século, quando a desacelaração do tempo e a convivência familiar e social, além dos hábitos sociais, exigem novos comportamentos;
Quando pensamos em saúde, apenas reclamamos sobre as condições para o tratamento de doenças, raramente pensando ou interferindo para que a doença não acometa. Bertrand Russel, em O Elogio ao Ócio, afirma categoricamente, que “a moral do trabalho é uma moral de escravos, e o mundo moderno não precisa de escravidão”. Russel, nos anos de 1935, já defendia quatro horas diárias de trabalho e dizia que só assim “haverá felicidade e alegria de viver, em vez de nervos em frangalhos, fadiga e má digestão”. Neste caso, a previdência social pode contribuir com dados sobre idades e problemas de saúde que demandam afastamentos remunerados e aposentadorias precoces. Costumo dizer que o mercado de trabalho estraga e o INSS paga...
O Brasil precisa pensar no lazer de sua população, garantindo por exemplo, o funcionamento de parques públicos em turno noturno, durante a semana, e 24 horas nos finais de semana, com a devida segurança e espaços para alimentação saudável e recreação completa (arvorismo, jogos de vôlei, squash, basquete, tênis de mesa etc. e também concertos, shows de arte, biblioteca, cafenet, clubes de leitura, do vídeo, videoteca e oficinas permanentes diversas, como: de arte, de produção, de beleza e saúde, educativas para o meio ambiente, as vocações, as relações, o trabalho voluntário), para pessoas que cumprem turnos irregulares de trabalho, considerando que o setor privado, investe em lazer e entretenimento, mas não se preocupa com os efeitos do que oferecem e trabalham 24 horas por dia. São bares, boates, lan houses, festas psicodélicas, postos de conveniência. A escala é industrial. No setor público, a escala é artesanal, e os resultados, podemos ver: violência nas noites, toxicomanias, insatisfação pessoal, egocentrismo e perda de vários valores humanos coletivos essenciais, em uma sociedade fútil, com apego em valores efêmeros e sem preocupação com a saúde e com a vida.
É fundamental constituirmos um Movimento junto a trabalhadores (as), patroas e patrões, em uma ação genuinamente voltada para o bem comum, os ideais coletivos e a emancipação do homem, através do investimento na produção do pensamento coletivo acerca das questões humanas, associando a prática cotidiana aos ideais teóricos, através de estratégias da administração de empresa; que de forma inteligente, se destine a contribuir com um mundo de vidas mais felizes, com significados positivos.
Na pauta deste Movimento, questões como diminuição de jornada de trabalho, direitos e deveres trabalhistas e patronais, entre outros temas relevantes que afetem diretamente a classe trabalhadora e a sociedade em geral, requalificando postos de trabalho e refletindo sobre condições e modernização do trabalho, no sentido de ampliarmos o grau de satisfação de patrões, trabalhadores e usuários dos serviços e produtos oferecidos, pois não é apenas o setor público que carece de mudanças e seriedade em sua condução; a realidade econômica mundial nos remete a obrigação de buscarmos novos rumos para o consumo e a produção de bens e serviços, que garantam padrão de qualidade e sustentabilidade socioambiental.
A diversidade de opções do mercado exige competitividade. Por outro lado, administradores modernos indicam a visão de futuro como sendo quesito para qualquer empreendimento de sucesso, além do investimento no capital humano, com treinamentos e assistência aos funcionários, que acabam melhorando a produtividade, buscando realmente a inovação de alguns valores, regras e comportamentos, tanto no mercado quanto na sociedade como um todo. A consolidação dos direitos humanos só se dará com novas relações que não indiquem explorado e explorador, na superação da visão mercadológica do arcaico capitalismo selvagem, onde tudo é mercadoria, onde o lucro e a vantagem são premissas básicas.
É tempo de investirmos em uma discussão fundamental, de acordo com Freud, para a nossa felicidade, enquanto humanidade: a nossa sexualidade. O aborto, os inúmeros e até os ignorados estupros que sabemos que existem, em nosso país, a violência doméstica, a iniciação sexual e gravidez precoce. Ora, se nossa sociedade joga feto/bebê vivo no lixo, ou se mata antes de jogar, isto não é problema de foro íntimo, apenas. Se nossos homens (moços, até) se comportam como bestas, como animais rupestres, e estupram, violentam, desacolhem suas crias (mesmo que sejam frutos de relação “extemporânea”…), isto é uma questão de saúde mental, cultural e de educação e de segurança… É sim, uma questão de Estado. Ora, se mulher não quer filho, se preserve; existem vários meios. Não tem que jogar fora – de uma vez por todas, é o que penso. Nossa sociedade precisa entender a lei da ação e da reação.
Bertrand Russel, em O Elogio ao Ócio, apregoa que “é necessária uma reforma educacional radical para que o conhecimento, o aprendizado e o saber sejam valorizados em si mesmo e para que o ócio, a diversão e o lazer substituam o trabalho como atividades dignificantes”.
Nossa sociedade precisa parar de educar e de viver para satisfazer o mercado. Precisa pensar a vida que vive e a vida que quer, trabalhando neste sentido. O setor público precisa parar de governar para o mercado. Desenvolver políticas educacionais para além da escola formal, utilizando-se para isto, da Assistência Social, por exemplo, que deve fazer mais do que oferecer bolsas de auxílio. Precisa de uma Educação que alcance crianças e jovens e adultos, para uma sociedade que avance em sentido contrário ao da barbárie que temos visto.
O planejamento familiar, o estímulo aos bons hábitos da alimentação saudável, da prática diária de atividades físicas e a preocupação com o meio ambiente, retomando as discussões e atividades da antiga Agenda 21, são premissas básicas para as mudanças que o Brasil enseja.
Precisamos de investimentos em pesquisas nos campos da biologia, da tecnologia e também da sociologia e demais ciências humanas, nas quais quase nada, ou bem pouco, se investe.
Trabalho com foco nestas questões após estudos, desde 2000. Como já tentei muito argumentar estas questões nos espaços do PT, do PMDB e até do PSDB, em vão, e por constatar que a cada dia, são mais pertinentes, solicito a atenção de Vossa Excelência.

sexta-feira, 22 de agosto de 2014

A luta da Saúde, o Dia 18 de Maio e a politicagem que enlouquece

   *Artigo publicado no jornal "Diário da Manhã" em 16.05.2014


Sei bem pouco da luta da Saúde em Goiás, mas sempre respeitei o movimento, que conheci há mais de 20 anos, quando comecei a militar em partido político. Havia uma vanguarda realmente ativa, na Saúde, em Goiás. Eis o problema das vanguardas: resultam das desigualdades e das separações que existem no todo social, formadas por pessoas que lideram modelos intelectuais e experiências cotidianas acima ou à frente de um conjunto maior de pessoas, quase sempre sem compreensão da totalidade. E quando elas desaparecem, os movimentos que representam, muitas vezes, se enfraquecem.
Não quero pensar o Brasil à época do INPS e fazer aqui, a defesa do SUS. Mas acompanhei bem a luta pela Reforma Psiquiátrica e não tenho dúvida de que defendo que o poder público invista em uma Rede de Atendimento Psicosocial própria e não em “comunidades terapêuticas”, clínicas e hospitais psiquiátricos conveniados, que promovam qualquer tipo de exclusão.
Talvez por ter sido criada muito próxima à parentes e amigos da família, em situação de sofrimento mental e por ter, desde muito menina, frequentando estabelecimentos para reabilitação e asilo, junto à minha mãe, visitando conhecidos e desconhecidos e ver que esta convivência depende muito mais de quem se diz “normal”, por exemplo; ou por saber de casos de clínicas e/ou centros de recuperação que excedem em medicamentos e usam de medidas indignas e desumananizantes, ou ainda, diante dos tantos casos de “recaídas” e surtos, que vemos e/ou ficamos sabendo, entre pessoas que já passaram por internações. Seja por problema genético ou adquirido, temporário ou crônico.
Este é um assunto tão amplo e tão pouco discutido. Principalmente sob o viés cultural. Da cultura que não tolera o diferente, o singular. Da cultura que restringe a vida à sobrevivência em selvas de pedra que não nos garantem os alimentos que causam bom humor, energia vital, anticorpos de defesa; que não nos garante um ir e vir pacífico, trabalhos prazerosos; que nos condena a relações rápidas, superficiais, egocentricas, inseguras. De uma cultura que nos impele a desejar e a querer amar e cuidar apenas de lindos e domesticáveis seres.
A saúde em geral e mais especificamente, a mental, e o sofrimento mental, relacionam-se com o modo de vida, por isso, dependem em muito,.da cultura.
A cultura que encarcerava e retirava de circulação, pessoas “improdutivas” ou que não se adequavam a determinados padrões e regras e as privava de direitos humanos básicos, depois de muita luta e questionamentos, foi compreendida como desprezível.
No final dos anos de 1970, o movimento de luta pela saúde mental no Brasil tomou força e ganhou visibilidade, mas somente no início deste século, em 2001, a Lei nº 10.216 de 6 de abril de 2001 - da Reforma Psiquiátrica, foi aprovada, após muita luta de trabalhadores, usuários e familiares de usuários, com denúncias, conferências, pesquisas, congressos e mobilizações junto ao poder público e setores da sociedade.
No entanto, na última década quase nada tem sido feito em favor da saúde mental em Goiás, e impressiona o poder da antiga “indústria da loucura”. Não me importa se alguém ou algum grupo quer ganhar dinheiro. O que indigna é a falta de responsabilidade socioeconômica do nosso setor empresarial, no mínimo; a preguiça de refletir, de ter que fazer diferente, de ter criatividade, buscar novas possibilidades. E a desfaçatez do poder público, ora esculhambado exatamente por não defender e garantir qualidade nos serviços que presta, financiado por cidadãos e cidadãs, em sua burocracia, ineficácia e em seus coluios, com entes privados perniciosos.
Ora, precisamos pensar a saúde mental em Goiânia, desde os reflexos da falta dela, no trânsito, por exemplo; na violência que nos assola se revelando em crimes diversos e horrendos e na permanência de pessoas em situação de rua, quando a secretaria municipal responsável por acolher e promover, discrimina, exclui e avassala, até o cotidiano da busca dela, quando a secretaria municipal responsável por ela, não oferece os recursos necessários ao seu pleno funcionamento, que depende de insumos e medicamentos, pessoal capacitado e em número suficiente, espaços adequados aos serviços oferecidos e fundamentalmente, articulação com outras secretarias e setores da sociedade, para esclarecimentos quanto à política de saúde mental vigente e ações em rede, para o atendimento das pessoas, de forma integral e não pontual ou com foco na doença/problema.
As interfaces entre a saúde, educação, asistência social, moradia, o trabalho e o lazer precisam ser compreendidas e trabalhadas pelo poder público, para a efetividade da Reforma Psiquiátrica.
A saúde, reitero, depende do que se come, do que se bebe, de sono satisfatório; depende das relações sociais e de trabalho, do lazer, da moradia digna, da educação que promove e liberta. Depende, muitas vezes, de acompanhamento clínico específico, de compreensão multifatorial e sempre, de cuidados multisetoriais.
O mercado precisa se atentar para isto e ampliar a produção para a cultura da vida, da saúde. A sociedade precisa parar para entender verdadeiramente o que se passa com ela, deixar de ser alienada.
No Dia 18/05, comemora-se o Dia de Luta Antimanicomial e chamamos a atenção para o fato de que tanto nossas autoridades políticas como jurídicas e a sociedade, ainda estão de fora desta luta, embora a Reforma Psiquiátrica seja Lei e prerrogativa do SUS.
A Associação de Usuários da Saúde Mental de Goiás, juntamente com o Fórum Goiano de Saúde Mental, em parceria com trabalhadores da Prefeitura de Goiânia, realizou nesta semana, de 12 a 15/05, a Semana de Luta Antimanicomial, no Espaço Sonhus do Colégio Lyceu, com diversas atrações artísticas como Miquéias Paz, Milla Tuli, Duo Goiás, Projeto Mazombo além de apresentações teatrais, oficinas, rodas de conversa e exibição de vídeos. Ao final, grande passeata.
Seria inintendível para Goiânia, a solução dada pelo prefeito, para o descredenciamento de leitos, pelos hospitais psiquiátricos conveniados com a Prefeitura, se já não soubéssemos da torpeza e mediocridade de nosso mercado, quando se encosta no poder público para levar vantagem e este é fraco, inconsequente, insustentável e ainda, favorece sempre, ao setor privado.
Ora, os CAPS precisam funcionar como estão previstos, em quantidade e qualidade. Toda a rede pública está com suas unidades comprometidas, em seus funcionamentos, seja por problemas técnicos com pessoal ou por suas estruturas físicas. Sequer atingimos metas de vacinação, em Goiânia. Mas o prefeito mais do que dobrou, diante de pressãozinha do mercado de saúde, o valor per capta do que é pago, pelo atendimento nas clínicas particulares. E aonde estava este dinheiro? É a pergunta que não quer calar.
Fica difícil trabalharmos a contento. Trabalhadores e usuários estão revoltosos com tal atitude. A sociedade fecha os olhos e a boca, diante da situação. Mal percebe que o problema da saúde mental não é “coisa de loucos” (como se loucos fossem desprezíveis), mas de pessoas com depressão, ansiedade, bipolaridade, esquisofrenia, autismo, déficit de atenção... E de pessoas que convivem diariamente com esta pessoas, lembrando que qualquer pessoa está sujeita a problemas com saúde mental; não existe vacina, mas controle..
É como bem disse o Sr. Valterson, da Associação de Usuários da Saúde Mental em Goiânia, não queremos um atendimento de internação melhor. Queremos um sistema de saúde público e de qualidade. Ele citou a modernização do telefone para ilustrar este entendimento: criou-se o smartfone, mas a função básica do telefone, é a mesma.
Não queremos segregação, intolerância. Precisamos de uma sociedade que tenha mais tempo para a saúde, trabalho dignificante, relações sadias. Queremos uma sociedade que respeite diferenças, individualidades; que cultive a tolerância com limites e opções pessoais. Que estimule o protagonismo e a promoção social, o auto-conhecimento, a auto-realização, a construção de um mundo melhor, justo, solidário.
Particularmente, admito que algumas pessoas optam pelo serviço hospitalocêntrico, para o próprio tratamento ou de parente com sofrimento mental e respeito, claro. É interessante oferecermos também, esta opção, ainda. Mas no poder público, a Lei vigente ordena investimento efetivo no SUS, e não, aparente.

sexta-feira, 15 de agosto de 2014

Contradições e mediações entre o marxismo de Gramsci e o de Irapuan Costa Jr.


    *Artigo publicado no Jornal Diário da Manhã na 1ª quinzena de setembro de 2013, em resposta ao artigo do Sr. Irapuan, e também no Jornal Opção, onde o srtigo do referido senhor fora publicado

Em recente artigo, o ex-governador de Goiás, Irapuan Costa Jr., expressa, na páginas do jornal Opção, suas “lógicas” conservadoristas no mais puro estilo saramandesco, chegando a afirmar que Gramsci “ é o estrategista do mal que influencia o Brasil”. Quisera influenciasse. O Gramsci, claro.
O gramscismo nunca chegou ao governo, que sempre é o poder.
É preciso entender que Karl Marx, Vladimir Lênin e Antonio Gramsci, entre outros, são elos de uma mesma corrente, e que se Gramsci foi mais perspicaz, foi devido ao que recebeu e à vida que levou, ao seu tempo e espaço. Vida disciplinada e dura, de perseguições, saúde debilitada e com ideais transformadores, em meio ao fascismo.
O problema do conhecimento produzido pela esquerda, é que ele é quase sempre desvirtuado, conhecido debilmente, explorado com preconceitos. O do produzido pelos conservadores é que ele é limitado e quase sempre com objetivos espúrios à construção de uma consciência coletiva. O conhecimento sempre é problema se vira arma para inculcação ou dominação ou vil exploração.
Não entendo como pode o ex-governador duvidar de que o capitalismo está em crise e de que os autores que citou em seu artigo, formularam a partir do real. E não entendo a realidade em que vive o mesmo, quando não enxerga o empobrecimento, que aparece no endividamento das famílias, nas notícias sobre corrupções e desvios no setor público, na selvageria e barbarismo dos crimes que acontecem a todo minuto em nosso país e no mundo capitalista selvagem... Escatológico é não enxergar a história, a sustentabilidade e a promoção do humanismo enquanto condições para evolução da sociedade e ainda, a concentração de rendas e de riquezas, compreendendo estas, não apenas enquanto bens materiais.
Se por um lado, não queremos uma “ditadura do proletariado”, de outro, precisamos modernizar o pensamento e as relações, para uma verdadeira prosperidade e evolução humana e social, através da democracia participativa e dialógica.
Meio para o ex-governador, em conhecimentos. Talvez lhe falte consciência de classe para a negação necessária ao conhecimento crítico, ao pensamento filosófico.
Não é interessante querer a derrocada do capitalismo, mas o seu ajuste a uma lógica humanizada, pois que, se ele é uma construção humana, pode ser transformado pela ação humana, lapidado, adequado aos interesses da humanidade e não de uma entidade chamada “mercado”, que dita cegamente normas e comportamentos absorvidos da mesma maneira.
A falta de objetividade e de expressividade, o preconceito umbiguista e o urubusismo contaminam os que pensam e têm poder, hoje. Os homens citados e ridicularizados por Irapuam Costa Jr., não somente denunciaram e revolucionaram o pensamento para todos os tempos, como defenderam a necessidade do fim da exploração e da dominação do homem pelo homem e deram suas vidas por isto, porque isto se fez necessário; não fugiram ao seu tempo.
Os tais homens ridicularizados ousaram pensar, sonhar e agir em seus tempos. Nos falta a nós, que podemos e temos liberdade e muitíssimas informações e recursos, sonharmos com uma vida melhor para todos, em nosso tempo, e como eles, lutarmos obstinadamente por isto de forma mais coletiva, para construirmos isto. O que Gramsci viu e que o ex citou sobre a sociedade civil é muito importante para a construção da sociedade ideal.
Como pode o senhor Irapuam, negar que o poder tem que ter respaldo das organizações civis e que estas têm que estar organizadas? Eu ainda estranho um pouco, o não enxergar das pessoas diante de uma colheita, em que há joio e trigo... Interessante como o senso comum não é questão de
classe social, nacionalidade, idade...
Sou uma defensora das “organizações burguesas como igreja, sindicatos, universidades, imprensa”, família, Estado e também sou gramcista. Amo Gramsci e sei que nada neste mundo é perfeito. Respeito sua vida, sua história e sou grata pelo conhecimento que ele produziu e que me orienta em minhas aspirações e metas.
A busca do “consenso”, a intelectualidade orgânica, a organização da classe trabalhadora (entendendo que intelectuais são trabalhadores do pensamento), o entendimento sobre as contradições e sobre o que é a hegemonia, sobre qual o papel da cultura na substituição dos valores capitalistas de burgueses selvagens, por valores morais e éticos fundamentados na justiça social e na práxis, são tópicos do exercício do Serviço Social, profissão à qual me dedico.
Não sou ideológica, não quero heróis, não acredito em salvadores da pátria e nem em vanguardas revolucionárias. E acredito que a divisão social do trabalho é o que nos une, o que nos garante a riqueza que temos e que precisa ser conhecida, reconhecida e experienciada.
A avaliação e a crítica permanentes do poder público, o entendimento quanto aos limites e alcances da polícia e da repressão e ainda, da marginalidade enquanto fruto histórico da injustiça social e da exclusão burguesa, são condições sine qua non para a construção de uma sociedade melhor. E digo isto, mesmo sendo defensora da sociedade burguesa, embora o que queira realmente, seja uma casa no campo.
O ex-governador promoveu em seu artigo maniqueísta e tosco, o nada, misturando pensamentos e conclusões que não combinaram. Mostra o que é bom, obnubilado, para parecer ruim; e o que é ruim, preconceituosamente, sendo ruim, nota zero, o resultado, incoerente.
Como negar a presença nefasta de latifúndios, de mão de obra escrava, de depredadores da natureza, de gananciosos apropriadores de mais valia, de sonegadores e de parasitas especuladores em nosso sistema socioeconômico?
Ora, como Marx e todo pensador, Gramsci produziu conhecimentos e conclusões partindo do contexto de seu tempo, dentro de suas possibilidades. Cabe a nós, produzirmos a partir do nosso tempo, o pensamento que precisamos para construirmos o mundo novo que desejamos, aproveitando o conhecimento que já existe, reformulando e/ou produzindo novos conhecimentos, novas sínteses.
Precisamos abandonar de vez os pensamentos totalitários... A totalidade tem que ser compreendida enquanto dinâmica, dialética, em seu vir a ser...
É incrível como o ex governador se dispõe à discussão e como a esquerda revolucionária tem se escondido do debate. E como eu, com meus parcos conhecimentos, ansiava por esta discussão, mesmo não sendo socialista nem nada.

domingo, 5 de agosto de 2012

Olha o PMN 33 aí, Goiânia!!!

* Artigo publicado no jornal Diário da Manhã, em 03.08.2012

Eu já tinha visto. Já conhecia o Bartolomeu Raizeiro desde quando era estagiária no gabinete do vereador professor Pedro Wilson Guimarães, quando a Câmara de Vereadores ainda era no Pathernnon Center. Também já tinha convivido com a companheira Janete na época em que estive a frente da campanha da professora Clélia Brandão, para o Senado. Pessoas sui generis e valorosas, da minha agenda.
No ano passado, quando me filiei ao PMN 33 – Partido da Mobilzação Nacional, estava muito certa de que, após receber convite de vários outros partidos, com vistas justamente à eleição que se aproxima, o PMN 33 é de longe, em Goiânia, o partido político que mais próximo está de uma política participativa, transformadora, libertária.
As raízes políticas e a representação do PMN 33 no legislativo goiano indicam isto.
Desde minha filiação, cada ato, cada encaminhamento que faço junto ao PMN 33, traduzem um respeito e um carinho louváveis, que jamais imaginei encontrar em um partido político, nestes tempos. Há camaradagem sincera, no PMN 33.
Enre as gratas surpresas que tive desde então, está o lançamento do nome de Elias Jr para Prefeito de Goiânia, em ato no Auditório da Câmara Municipal. Eu não o conhecia. Eu estava na composição da mesa, quando ele se dirigiu ao púlpito e começou a me impressionar profundamente. Naquele momento eu percebi nossas possibilidades.
Elias Júnior Prefeito de Goiânia é utopia, sim. Lembrando que, como disse Paulo Freire, “utopia não é o irrealizável, mas sim, o desejado que ainda não foi realizado”. Elias Júnior é a 3ª Via, sim. Lembrando que a terceira via não é uma questão de opção, mas sim de modus operandi.
Para Prefeito de Goiânia, apresentamos Elias Júnior, que é jornalista, deputado estadual. Filho da comunidade do Finsocial, de família humilde, batalhadeira, que veio do norte, rompendo barreiras em busca de melhorar de vida honestamente, através do trabalho. Elias Júnior, que muito cedo se posicionou profissionalmente de forma criativa, ao lado da população explorada, vilipendiada pelo sistema capitalista explorador.
Com a qualidade da Coligação Mobilização Popular tendo como Vice Prefeito o jovem Darlan Braz, presidente do PPS em Goiânia, que já foi gerente do Programa Renda Cidadã no Estado e diretor da Fundec (Fundação de Apoio à Escola Técnica, Ciências, Tecnologia, Esporte, Lazer, Cultura e Políticas Públicas), poderemos eleger um número suficiente de vereadores capazes de mobilizar Goiânia para um trabalho mais efetivo, na conquista da cidadania plena, da democracia para além do discurso.
O PMN 33 de Goiânia tem candidatos que representam todas as regiões de nossa cidade; candidatos com diversas profissões,variadas idades, opções culturais.
Sou candidata e quero ser vereadora, para realmente contribuir com minha cidade através de um trabalho decente, na Câmara de Vereadores de Goiânia. Que orgulhe cada goianiense e inclusive, minha família, que sempre me apoia e me motiva na conquista do meu sonho de uma sociedade realmente justa e fraterna. Que revele responsabilidade, criatividade e compromisso com a qualidade das políticas públicas oferecidas no município de Goiânia.
Quero não apenas ser eleita vereadora; quero participar da composição de um grupo político atuante, combativo, resistente às mazelas da política. Um grupo propositivo, pautado tecnicamente. Um grupo político essencialmente democrático; reflexivo, analítico, crítico.
Minha trajetória profissional e política denota o espírito coletivo que sempre norteia minhas ações, meus ideais, meus projetos. Sou assistente social formada pela antiga UCG, em 1993.
Fui idealizadora e co-autora do projeto de revitalização do centro de Goiânia, apresentado na primeira campanha vitoriosa de Luis Cesar Bueno para vereador em 1996 e no entanto, vemos nosso centro histórico degradado. Também data desta época, a primeira proposta de trabalho com adultos de rua em Goiânia, idealizada por mim e apresentada pelo vereador Luis César. Participei na construção e criação do SUAS – Sistema Único de Assistência Social, quando efetivamos os CLAS – Conselhos Locais de Assistência Social, extintos na atual gestão; esta política não é reconhecida e praticada a contento, em Goiânia. Coordenei, com louros, o NUEC do Jardim Curitiba IV, após atuação como técnica do SOS Criança Desaparecida e do NUEC João Vaz, na extinta Cidadão 2000. Do mesmo modo, coordenei o PAIF – Programa de Atenção Integral à Família e o Projovem Adolescente, programas do Governo Federal, na SEMAS e fui Diretora Técnica no CIAMS Urias Magalhães. Tive a oportunidade de trabalhar em programa de habitação da CEF/BID em Trindade e também, na Ferrovia Norte Sul, em Anápolis. Trabalhei na SEGOV, na SECULT, na SMARH, no IMAS, na FUMDEC. Atualmente sou servidora da SMS, de Goiânia.
Quero apresentar, aprovar e efetivar em nossa cidade, projetos simples, exequíveis, voltados para a ampliação da participação social ou seja, projetos que desenvolvam a educação comunitária, o turismo social, a consciência ambiental, a geração de renda, a cultura cidadã.
Quero contribuir mais diretamente na fiscalização do poder público goianiense; na cobrança quanto à transparência e probidade administrativa municipal; no fomento da cultura e de uma economia frutuosa. Contra a burocracia, o bairrismo, os conchavos políticos e as ações sem respaldo popular.
Quero sugerir e suscitar novas idéias, conceitos e atitudes que venham contribuir com o desenvolvimento sustentável de Goiânia.
Conheça a Coligação Mobilização Popular em Goiânia.

terça-feira, 12 de junho de 2012

Marconi Perillo, o Causador

*Artigo publicado no Jornal Diário da Manhã, em 12 de junho de 2012


Este 12 de junho será sem dúvidas, muito importante para a História de Goiás, devido o depoimento do nosso Governador Marconi Perillo à CPMI da Operação Monte Carlo.
Estou a cada dia acompanhando mais o trabalho de Marconi Perillo, desde seu primeiro mandato como governador.
Seu carisma, sua disposição para inovar, sua firmeza de propósitos e seu dinamismo sempre me encantaram. Longe de pensar Marconi Perillo como santo ou salvador, penso-o como administrador, governante mesmo. Se ele para mim não é o maior, sem dúvidas, é The Best. Por isto ele conta comigo.
E também por isto ele tem sido tão citado. E claro, por estar envolvido com Carlinhos Cachoeira. Não por ser um homem público, um governador em terceiro mandato, ex-deputado, ex-senador.
A valorização do envolvimento do governador neste caso tem sido enfadonha, grotesca e sinistra.
Enfadonha por revelar tanto poder, a estas alturas, de uma esquerda que vem se fazendo golpista, maquiavélica, capaz de se fazer poder e de se manter nele, mas incapaz de desvelar a nova sociedade almejada, de recriar os meios e os fins políticos.
Grotesca por revelar tanta usura no intento de destruir um alvo por capricho. Por arrastar tantas situações suspeitas, até da própria alçada e camuflá-las, paralelamente ao alarde do suposto envolvimento do governador. Grotesca por desconstruir a própria imagem e as possibilidades da esquerda utópica, anunciadora das maravilhas que deram ascensão ao partido que está no poder, enquanto este, pensa que está atingindo o alvo imaginário. Nada quixotesco, porém, pois D. Quixote tinha bons propósitos.
E por fim, sinistra por revelar o poder e os recônditos do poder que mascara, que massacra e que se organiza para as conspirações, como na carona com o Movimento Contra a Corrupção, que foi nacional e captado pelos antimarconistas, que foram desmascarados na marcha dos 300, quando esperavam muito mais do que isto. Como na mídia insistentemente focada em Marconi Perillo, com tantos outros fatos e personagens em questão.
A própria PF tinha conhecimento há anos, da movimentação de Carlinhos Cachoeira e o GF mantinha/mantém negócios e amizades neste circuito. E ora, o professor Walter Paulo foi candidato do PTC que foi aliado de Íris/Paulo Garcia, que inclusive deram o autorizo para a derrubada do bosque do Jóquei Clube numa virada de ano, diga-se de passagem. O ex-presidente da Câmara de Vereadores de Goiânia, que já responde por improbidade e é viga mestra nisto tudo também tem muito a ver com todos estes. Assim como outros governadores e muitos parlamentares e empresários.
Seguraram as atuais cenas durante os últimos três anos e tiveram escutas autorizadas como em programas privados ou canais fechados, mas enfim, o Brasil e o mundo estão autorizados a participar do quadro, que terá seu ator principal, Governador do Estado de Goiás – Marconi Perillo, em 12 de junho, no palco principal. Em cena ao vivo. Para além do Cerrado. Que seja o dia de um novo Fico.
Oxalá as respostas de Marconi Perillo desintegrem cada pedra, pedregulho que nele atirarem; que rompam os muros da hipocrisia arcaica, da política medíocre, raivosa, perseguidora e ignóbil.
Ora, no mínimo, estar contra Marconi agora, é favorecer uma turma perniciosa, que se acha.
Desejo, como muitos, que Marconi faça, como sempre, o seu melhor possível, neste 12 de junho. E que assim, termine seu mandato, cumpra o que se propôs. Que o vença, as urnas, caso mereça mesmo.
A intervenção que se quer em Goiás, com todo este arranjo em torno de Marconi Perillo é asquerosa, é um golpe no Estado democrático.
Por outro lado, penso que enfim, certamente teremos um depoimento lúcido, coerente, inteligente, esclarecedor, inda que o homem se encontre diante de cenário selvagem, inóspito e preparado com armadilhas.
E também, que este não deixa de ser um espaço e tanto. Só vendo.

domingo, 13 de maio de 2012

Minha mãe menininha

*Publicado no Jornal Diário da Manhã em 13 de maio, 2012
Complicado está sendo chegar aqui e não expor as maravilhas da minha mãe. Por menos que ela goste da exposição de sua figura. Sinto um desejo imenso de contar para todo mundo, o como a amo. Tenho certo pudor de dizer a ela Feliz Dia das Mães, pois sei que ela pode me dizer de novo: “– Feliz para você que tem a sua mãe!”. Ela é muito engraçada. E direta. Ia diariamente à casa de vovó. Mamãe não comemora a noite de Natal e de Ano-Novo. Ela reza. No outro dia, faz almoço. Mamãe reza muito. Tem seus horários, no dia. Todos os dias. Sempre foi assim. Minha mãe é colorida e brilha, como a do menininho da propaganda da TV. Entremeando seus fios de prata, estão seus cabelos de fogo. E ela me ensinou que Dia das Mães é todo dia. Sabendo disto, já deixei de presenteá-la, algumas vezes. Normal. Outro dia um colega contou, no elevador, que tinha ido almoçar na casa da mãe e claro, gabou a comilança. Fiquei pensando na minha. Naquele dia mesmo, mamãe me mandara o almoço. Manda lanche, jantar, sobremesas, presentes. Cabides, com as roupas que vão, para passar lá. Estou muito chateada comigo, pois não tenho ido a casa dela. Até hoje minha mãe me cuida. E do papai, de minha irmã, da casa dela. Só tem ajudante para a passação da roupa. É muito exigente. Ainda bem que conseguiu excelente marido. É muito amorosa. Casou-se muito cedo, aos quinze anos. Desde os oito, convivia com meu pai, em Jaraguá, pois são primos. Meu pai queria se casar com a mãe dela, mas ele tinha só três anos, quando vovó se casou e ela lhe prometeu uma filha, para que ele parasse de chorar, na porta da igreja. Mamãe fazia as tarefas escolares de uma amiga dela e esta amiga, arrumava a cozinha do almoço, para mamãe. A amiga hoje é médica. Mamãe, como sempre, dona-de-casa. Mamãe dá notícia de quase tudo. Lê muito e de tudo. É muito espiritualizada e sua casa tem um ar de alento, sua presença é fresca, harmoniosa. Gosta de escrever e tem uma sensibilidade incrível. Saca tudo da História de Goiás, conta casos incríveis. Da nossa família, sabe tudo. Os sensos ético e estético são apurados. Viveu um tempo com o padrinho, que fora juiz, delegado e seu mestre; estudou em colégio de freira. Talvez daí certa rigidez que se abrandou, com o tempo. Ás vezes, fala muito ou emburra. Mas nunca me condenou. Conheci minha mãe, ela usava micro saia. Foi a primeira mulher a usar maiô de duas peças, em Uruana. Mamãe faz o melhor bife com fritas do mundo. O melhor arroz, as melhores saladas, as melhores comidas e sobremesas e surpresas. Sempre fez. E tem o melhor cafuné, a melhor massagem. A voz mais doce. Ela é macia, “divina e graciosa”. Lembro-me dela com cabeleiras vermelhas e cacheadas, quando fez permanente. Lembro-me dela nos eventos da Maçonaria, com lencinho no pescoço, nas aulas de corte e costura e culinária, nos nossos aniversários, em instituições, nas nossas viagens e passeios e nas igrejas. É incrível como arruma rapidinho uma roupa, faz uns bordados lindos, é muito caprichosa. Uma colega dos tempos de Santa Clara comentou que quando éramos crianças ela se encantava com o jeito como eu ia arrumadinha, engomadinha, para a escola. Lembro-me de mamis em festas. Sorria muito mais, a mamãe. Contava muita piada, sempre foi meio “riguilida”, como diz. É altamente sociável. E sincera. Não é dada a obrigações, mas é cheia de considerações. E cheia de excelentes amizades. Penso nela menininha. Vermelha, encrenqueira. Sempre muito linda. Trabalhadeira. Sempre cheia de vontades. E de fé. Mamãe dava beliscões, puxões de orelha. Tapas. Cortava o uso do telefone, a televisão sempre foi controlada, as amizades também, toda a rotina. Mas a gente nem notava, só tentava obedecer. Vez em quando jogava coisas, dava na gente com um cinto que papai trouxe de Xavantina. Ô cinto dolorido, trançado... Coisa de índios. E até hoje, dependendo da conversa, não posso entrar no meio... Certa vez. ela passou doce de leite na cara da minha irmã, pois tínhamos tomado lombrigueiro e a mana deixou a marca do dedo no doce da geladeira... E uma vez me despejou na cabeça, calmamente, uma lata do açúcar refinado, onde eu colocara sal, sem querer, por cima. Costumo dizer que minha mãe me ensina a respeitar as mulheres. Que vida de mulher é difícil, complexa. Ensinou-me que ser gente não é ser perfeito e que ninguém é santo, nem mãe. Que a vida é lida e que “é o tempo que cura o queijo”. Mamãe ensina-me a ser mãe e eu agradeço a Deus, por isto. Preciso aprender tanto, ainda. Que Deus dê à minha mãe, o que de melhor houver neste mundo e na eternidade. Eu peço muito isto. Eu conto com isto, pois posso oferecer tão pouco, a ela. Que Deus nos abençoe, a todas as mães. Que os filhos sejam cada vez melhores e mais felizes. À mamãe, o meu maior amor, a minha eterna gratidão. E ao papai, que me garante a melhor mãe do mundo. Longa vida, saúde e paz!

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Minha vida de petista

*Publicado no jornal Diário da Manhã em 10.01.12


“Você lembra, lembra!
Daquele tempo
Eu tinha estrelas nos olhos...”
Roupa Nova

Eu me lembro com muita saudade das aulas de História do prof. Afonso Lyra, no Colégio Agostiniano, no início dos anos 80. Um dos fundadores do PT, ele foi a primeira referência que tive, deste partido político.
Participei do Diretas Já e em 1985 meu ex-marido e eu recebemos na EMBI, nossa escola de informática, o candidato do PT a prefeito de Goiânia, o prof. Darci Accorsi, por influência do meu compadre Simões, estudante de História, na época.
Veio daí minha admiração pelo prof. Athos Magno, em quem pude votar pela primeira vez, no final dessa década.
Em 1989 eu morava em frente ao Diretório do PT, no Centro, e estava a ver a preparação do bloco Lua Lá, que desceria a Av. Goiás, no desfile de rua, no carnaval, quando Darci Accorsi puxou-me e andou comigo até me conseguir um capuz preto para eu entrar no bloco que faria protesto em alusão ao assassinato de Chico Mendes. E assim eu desci a avenida no carnaval de Goiânia; foi a primeira das três vezes que fiz isto.
Logo em seguida surgiu uma viagem para São Bernardo, para o comício do Lula e eu fui. Foi tudo muito lindo, lembro-me até da lua, que eu via pela janela do ônibus. Jamais me esquecerei do Pinheiro Salles passeando e conversando comigo e depois, ficando sem a jaqueta de frio, para me emprestar, já que a minha ficara trancada no ônibus e não encontrávamos o motorista... Ao chegar a Goiânia, filiei-me ao Partido dos Trabalhadores.
Nesta época haviam as Sextas Culturais do Ivanor, do Pedro Tierra e uma febre de venda de artigos como camisetas, bonés e bottons com a estrela do PT.
Ganhei um brinquinho com a estrela do PT, do prof. Pedro Wilson, que veio a ser meu exemplo de fé, de humanidade e de grandeza. Eu também comprava e incentivava as compras junto às pessoas que eu conhecia.
Lembro-me que levei minha TV para acompanhar a apuração dos votos no diretório, junto ao Gutemberg e uma galera e minha mãe quase teve um treco, não gostava do PT na minha vida.
Foram muitas as campanhas, caminhadas, panfletagens, reuniões, comícios e encontros. Em meu segundo encontro, na antiga Câmara de Vereadores no Pathernon Center, levei meu talher para o almoço, pois não conseguia usar a colher que faziam com a tampa do marmitex. Era muita alegria, muita fé, muita esperança, muita teoria para a construção de um mundo melhor. Era muita gente boa pensando junto.
Muitas batalhas. Meu cunhado me deu uma linda botina feminina, para que eu pudesse ir e vir “mais a vontade”, segundo ele. Nesta época eu era estudante de Serviço Social. Eu andava muito, nos bairros, na cidade.
Na antiga UCG, minhas colegas do SER não valorizavam minha militância, pois criticavam o “aparelhamento” dos partidos políticos, das instituições...
Na campanha de Darci em 1992, comecei a avaliar algumas questões que me incomodavam e no segundo turno, apoiei Sandro Mabel. Meu pai quase teve um treco. Lembro-me bem dele me dizendo “-Mas minha filha, o Darci vai ganhar...” e eu dizendo que isto não importava. Eu até gravei na Stillus, uma fala sobre o porquê de não votar no PT naquele momento.
Eu falava aos quatro cantos, do dinheiro que entrou na campanha através do candidato a vice, da aliança, da descaracterização do Partido...
Depois, Pedro Wilson me conseguiu um estágio de pesquisa no IEL e assim, trabalhei com ele quando vereador. Como o meu salário rendia. E o trabalho também. Desenvolvi uma pesquisa sobre Movimentos Sociais e a apresentei no encerramento do curso, na disciplina de Pesquisa Social. Foi de uma riqueza imensa, esta época, em que o Pedro Wilson era “The Best” em análise de conjuntura. Tínhamos o Adérso.
Diante do ritmo exaustivo das reuniões, eu sempre fazia e levava pães de queijo, pão integral, café e suco de caju para oferecer “um agrado” àquelas pessoas que comigo compartilhavam sonhos e lutas.
Entre as campanhas, era ao redor de Pedro que eu ficava, embora tenha passado pela TM.
Engraçado que quando optei por militar na campanha de Juarez Lopes para vereador e alguém me disse para sair e apoiar outro mais forte, estranhei, pois entendia que tinha que contribuir com quem precisava...
Mais tarde, já formada, trabalhei na mega campanha de Luiz Antônio de Carvalho. Comecei de secretária dele, fui para a Agenda, depois para a Mobilização do interior e daí para a Comunicação, onde tive a satisfação de ter orientações de Pinheiro Salles e de Wilmar Alves. Almoçava com a falecida companheira Sueli Frassáit enrolando o arroz nas folhas de alface.
Trabalhei com Luis César em dois momentos. No primeiro, como professora substituta dele, que me convidou quando passava pelo gabinete do falecido Moura, na Assembléia e depois, na campanha de 1996 e no primeiro mandato de vereador. Muita articulação, leituras, pensamentos estratégicos, “bonecos” para jornaizinhos, organização de idéias e ações sem esquecer o violão, a música brasileira, o rock e a poesia.
Aí me afastei do PT, mas no fim do primeiro turno da campanha de Pedro Wilson para prefeito procurei por ele e voltei à militância petista.
Na campanha de 2002, pedi demissão da Cidadão 2000 e assumi o trabalho à frente do comitê da profª Clélia Brandão ao Senado, convidada pelo prof. Daniel da antiga UCG e pelo falecido amigo Gil, da CUT; nesta campanha apoiei Paulo Garcia, candidato à Deputado Estadual. Clélia Brandão teve em torno de 400 mil votos e o Lula foi eleito. Depois, fiquei nove meses desempregada.
Passada a campanha do Gil para vereador, percebi que precisava sair do partido, mas veio o “mensalão”. Então, resolvi ficar mais um pouco, para não me sentir uma ratazana. Fui a primeira pessoa a falar em público sobre a hipocrisia disto, em uma reunião do Pedro Wilson. Depois desta reunião, lembro-me da última longa conversa com o Gil, na porta do IFTEG, sobre isto e sobre a campanha dele.
Em 2007 me desfiliei do PT. Mas não foi por desilusão ou arrependimento ou coisa parecida. Sou profundamente agradecida por um bocado de coisas que vivi junto ao PT e não nego.
Na última Conferência de Mulheres, foi estranho ver Carmem Síria sem saber se me oferecia ou não uma estrelinha; mas foi muito bom revê-la e também rever a mulherada que segura este movimento.
Nada me faz entender o porquê das atuais alianças do PT de Goiás. Tampouco os discursos chinfrins que aparecem na mídia ou os comportamentos iracundos que revelam mediocridade, onde antes aparecia uma oposição com um brilhantismo e uma esperança cativantes e invejáveis.
Quando eu era petista, havia até um modo petista de governar.

A população de rua em Goiânia e a assistência social

* Republicação de artigo publicado no jornal Diário da Manhã em 18.09.10. Republicado em 05.01.12

Se por um lado a Assistência não pode obrigar ninguém a “aceitar ajuda”, por outro, tem o papel e deve ter a competência para mostrar a quem está na rua, que tem algo melhor que a rua, para oferecer. Tem que ter competência para o convencimento através do diálogo, de uma relação honesta, pautada nos princípios da Assistência Social. Tem que ter mesmo, o que oferecer.
Como diz a profª Cida Skorupski, “ninguém, em sã consciência prefere a rua a uma caminha arrumada, limpa, um alimento quentinho, saboroso, uma casa aconchegante...”.
É preciso conhecer de confusão mental, de miséria, de sistema explorador, prá se ter competência em Assistência Social, que não faz tratamento psicológico, mas encaminha... Que não é filosofia/sociologia, mas se utiliza destas ciências, para compreender na totalidade, os fenômenos sociais.
A visão de trabalho social que permeava as extintas Cidadão 2000 e Casa Ser Cidadão (que trabalhavam as questões de crianças/adolescentes e adultos em situação de riscos socioeconômicos em Goiânia) sabia bem disso: de relações honestas, sem medo, com cuidados, mas horizontalizadas. Esta visão não escolhia usuário, não impedia de entrar nas casas de acolhida, pessoas que usam drogas (lícitas/ilícitas) ou que são agressivas ou que furtam. Estas eram o público-alvo. Sabia-se como lidar com elas.
Temos, na atualidade, profissionais que têm medo... Falta de perfil, de preparo e ainda, excesso da visão e de argumentos que fazem da Assistência Social solidariedade/caridade e que imprimem a esta política, um caráter “solidário e amoroso” que se diluem quando os resultados não revelam o almejado, quando o enfrentamento exige “abster-se, no exercício da Profissão, de práticas que caracterizem a censura, o cerceamento da liberdade, o policiamento dos comportamentos”, conforme exige o Código de Ética da profissão.
Na “Casa de Acolhida” de Goiânia moram “pessoas com feridas”, problemas de saúde, que “não têm para onde ir”... Não tenho dúvida de que este trabalho está equivocado.
No Natal de 2009 apareceu no jornal da TV, uma moça dizendo da maravilha que é ter onde ficar, dormir, comer e até agradecendo por ter conseguido lá, um novo marido... Mais de 200 pessoas ali, sem ter gastos...
Claro que Goiânia está muito atrativa para moradores de rua, por isto está cheia deles! O danado é que isto não traz dignidade e a PNAS orienta para o direito à convivência familiar e comunitária, tendo havido inclusive uma Audiência Pública neste sentido, no Auditório do Ministério Público em 08/12/09.
Não se reconhece a importância norteadora do Movimento Nacional de População de Rua e da Política Nacional para Inclusão Social da População em Situação de Rua no desenvolvimento desta política.
Enquanto a SEMAS pede “ajuda” à população, através de campanhas de doação, a devolução de verbas ali é constante, por falhas de planejamento e por falta de projetos.
Saliente-se aqui, que a política de doações (recebimento/redistribuição) da SEMAS é assunto para outro momento.
Não haverá sucesso nas políticas sociais goianas enquanto o poder público não se atentar para o fato de que as políticas sociais devem acontecer em conexão entre o social (histórico), o econômico e o ambiental, estabelecendo relações entre as particularidades dos problemas, que não começam e nem terminam em si.
É preciso uma atuação articulada, multiprofissional e intrasetorial, com outro olhar e agir, que sejam capazes de superar o assistencialismo e a ineficiência dos programas atuais no que diz respeito à construção da emancipação e da inserção social.

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Os direitos de crianças e adolescentes, em Goiânia

#Artigo publicado no DM em 25.11.2011

É vasto e variado o cesto de notícias acerca da questão dos direitos de crianças e adolescentes, diariamente na mídia local. São crimes por atos e omissões; negligências, maus tratos, exploração/abuso sexual, abandono, agressões, seqüestros, assassinatos. Principalmente na capital e região metropolitana, mas também no interior de Goiás.
Crescem os números relativos aos adolescentes no sistema de medidas socioeducativas e as reincidências.
Enquanto isto é público e notório que milhares de pessoas e entidades governamentais, particulares e filantrópicas trabalham neste campo e que recursos são encaminhados para este trabalho. E muitas vezes devolvidos por falta de projetos.
Não se pode dizer que nada está sendo feito no sentido de se resolver estes problemas. É preciso que se avalie verdadeiramente o como está sendo feito. E que se passe a fazer conforme as leis e normas operacionais básicas, planejando, executando e avaliando o que se planeja e se executa.
Por outro lado, há algum tempo que a retórica política predominante reitera o papel e a importância da família no contexto da formação da pessoa humana e conseqüentemente, da sociedade.
Mas não há empenho por salários honestos e políticas públicas efetivas, por redução de jornada, por planejamento familiar.
Em que pesem os descasos, politicagens e as notícias sobre a questão dos vilipendiados direitos de crianças e adolescentes em nosso Estado, este mês de novembro está repleto de atividades voltadas para construção de uma nova realidade em Goiás.
Estão acontecendo em todo o Estado, Conferências Municipais visando as Conferências Regionais; posteriormente, a Conferência Estadual em maio, e por fim a Conferência Nacional, que se dará em julho de 2012.
Da Conferência de Goiânia, saiu uma Moção de Repúdio à gestão da política de Assistência Social da SEMAS, que há cinco anos se caracteriza pela arbitrariedade, pela politicagem em benefício próprio, pela incompetência e ignorância acerca da concepção conceitual desta política.
A promoção, proteção e defesa dos direitos, o protagonismo e o controle social e ainda, a gestão da política voltada para crianças e adolescentes são os eixos temáticos das Conferências. Goiás participará da Nacional com 94 delegados.
O Tribunal de Justiça de Goiás, através de sua Corregedoria Geral, realizou o Workshop da Infância e Juventude, que tratou dos aspectos infracionais e medidas socioeducativas em meio aberto e fechado e também apresentou o Manual das Rotinas da Infância e da Juventude, que propiciará que a lei seja aplicada da mesma forma nas cidades do Estado.
Este evento reiterou o compromisso da Justiça de Goiás com a questão dos direitos de crianças e adolescentes e contou com a presença de expositores de outros municípios e estados, com representante do Conselho Nacional de Justiça e com trabalhadores multiprofissionais ligados ao TJ/GO. Com direito a apresentação de boas práticas, mini curso e painel de exposição de entidades parceiras.
Na Assembléia Legislativa, a Comissão de Direitos Humanos, Cidadania e Legislação Participativa realizou um Fórum de Debates sobre a Lei que estabelece o direito de crianças e adolescentes serem educados e cuidados sem o uso de castigos corporais, tratamento cruel ou degradante.
Nos dias 29 e 30, o Conselho Estadual dos Direitos da Criança e do Adolescente e a PUC/GO, estarão com o CONANDA em sua 200ª Assembléia Itinerante, que terá como temas o extermínio de crianças e adolescentes e a rede de proteção dos direitos da criança e do adolescente, com a participação de autoridades públicas, entidades e trabalhadores da infância e adolescência, de Dom Tomás Balduíno, representantes de universidades, fóruns, conselhos e ainda, das mães de Luziânia. Os resultados das plenárias irão compor a “Carta de Goiás”.

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

O Plano de Desenvolvimento do Entorno

*Artigo publicado no jornal Diário da Manhã de 17/11/11

A partir do ano de 1995, a região do entorno de Brasília passou a ter um crescimento vertiginoso e desordenado, devido intenso processo migratório de pessoas vindas de todo o Brasil para Brasília em busca de trabalho e de melhores condições de vida.
Atualmente com um total de um milhão de habitantes, as cidades do entorno, comumente chamadas de cidades dormitórios, possuem graves problemas devido o inchaço populacional e a falta de investimentos em obras de infraestrutura.
O fato, é que a aculturação e a deterioração crescente das condições socioambientais nesta região têm refluído no triste retrato da violência e da criminalidade do Estado de Goiás e do Distrito Federal. Dos 20 municípios mais violentos de Goiás, 11 estão na região do Entorno.
É urgente um modelo de desenvolvimento integrado entre o Distrito Federal e o entorno – de onde milhares de pessoas se deslocam diariamente para o trabalho em Brasília, sem que haja sequer um plano comum de mobilidade viária e de transporte público integrado entre estas cidades.
A distância que moradores de cidades dormitório percorrem todos os dias, contribui com a precariedade da vida em seus municípios, que ficam esvaziados durante a semana. Decorre daí a falta de organização das comunidades frente às demandas por infraestrutura e por políticas públicas. Os níveis de participação e de controle social são baixíssimos.
Constata-se que muitos jovens ficam à mercê, pois seus responsáveis têm mais dificuldades para acompanhar suas rotinas e vidas escolares. É de pasmar ouvir da Segurança Pública, que a unidade que mais prende foragidos é o Batalhão Escolar.
Hoje existem, na região do entorno, 8000 jovens institucionalizados.
Após décadas de denúncias e pressões e após diversas tentativas de se “resolver” o problema do entorno, o Governo Federal solicitou aos governos de Goiás e do DF, um documento com as principais necessidades da região para a composição de um Programa de Desenvolvimento do Entorno.
Em Goiás, a SEGPLAN está organizando dados, junto a um grupo de trabalho intersetorial para atuação conjunta sistematizada, visando, não apenas controlar “guerrilhas urbanas” para proteger a capital da União de suas consequências, mas principalmente, garantir qualidade de vida à população da região do entorno.
Nos encontros, embora o clamor social passe principalmente pela questão do policiamento, a SSP/GO conclama a uma visão holística em um trabalho integrado e diz que a “Segurança não pode ser tratada como remédio para a febre...” e que a solução para o problema, embora precise de recursos humanos, estrutura física e logística, é a prevenção contra a criminalidade.
A SEDUC/GO revelou, entre os dilemas que vive, que os muros de 3 metros de altura não impedem meliantes de usarem as dependências das escolas em farras e vandalismo. Faltam quadras esportivas e escolas. Uma escola funciona em prédio cedido pela SSP/GO.
A proposta de Goiás não será um programa estratificado.
Além de atentar para as questões de infraestrutura e de desenvolvimento social, prevê um choque na economia, para que os municípios do entorno sejam estimulados a efetivarem consórcios e a instalarem empresas por meio de uma política de incentivos fiscais e financeiros a determinados nichos de mercados específicos, de acordo com as vocações de cada município, sem perder de vista que Brasília é rica em turismo cívico e cultural; um centro político e de negócios circundado por cachoeiras e uma gastronomia peculiarmente atrativa, em municípios em que se padece por falta de saúde, hotéis, aluguel, asfalto, água e saneamento básico, transportes, escolas, opções de lazer, policiamento, postos de trabalho e ainda, por alimentação cara.
Sucesso ao Plano de Desenvolvimento do Entorno, desenvolvido a priori pelas equipes técnicas da Segplan, Saneago, Segurança Pública, Sic, Gdr, Saúde, Cidadania, Educação, Seinfra, Goiastur e dos Bombeiros, e que em breve deverá ser discutido com autoridades públicas e a sociedade civil interessada em contribuir com sua implantação.

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

O Dia Internacional de Pessoas com Deficiência

*Artigo publicado no jornal Diário da Manhã em 11.11.11
O Conselho Estadual dos Direitos das Pessoas com Deficiência realizará no dia 03 de dezembro, juntamente com o Governo do Estado de Goiás e parcerias, o Dia Internacional de Pessoas com Deficiência, no Parque Flamboyant, a partir das 8 horas, com diversos serviços e atividades no campo da assessoria jurídica, da fisioterapia, psicologia, saúde e beleza.
A atividade será aberta oficialmente às 9 horas, com uma oração ecumênica e contará com apresentações artísticas, recreação e espaços pedagógicos e se estenderá até o meio dia.
A presidenta do CEDPD/GO, Maria de Fátima “Clara”, na assembléia ordinária que tratou da organização da referida atividade, fez questão de lembrar que em muitas situações o preconceito e a desinformação atrapalham as relações cotidianas e limitam as pessoas com deficiência, seja o cadeirante, a pessoa surda, deficiente visual ou intelectual, comprometendo a cidadania e gerando uma acessibilidade menor das pessoas com deficiência a recursos e condições que podem facilitar e até garantir a qualidade de vida para estas pessoas e suas famílias.
Clara frisou que este é um momento de chamamento à sociedade, que deve pensar que qualquer pessoa está sujeita a uma fatalidade e que, no entanto, muitas deficiências congênitas podem ser tratadas na gravidez e muitos acidentes poderiam ser evitados se houvesse maior responsabilidade no trânsito e com o consumo de álcool.
Dados indicam que no Brasil, 110 mil pessoas são lesionadas, por ano, vítimas de acidentes de trânsito; 39 mil 500 pessoas morrem e 500 mil ficam feridas.
Por outro lado, o Conselho comentou a ação da SANEAGO, no sentido de facilitar a leitura das contas disponibilizando a opção em braile, lembrando que esta é uma conquista, mas que ainda é preciso conquistar, para as pessoas de baixa visão, boletos com letras maiores e também via email.
Muito animado com a gestão que se inicia, o CEDPD/GO pretende que esta ação da SANEAGO contagie outros órgãos públicos, inclusive no sentido de tornar acessíveis suas dependências internas.
Neste sentido, impressionou a disposição do Dr. Antenor Pinheiro, Superintendente de Desenvolvimento Urbano e Trânsito e Coordenador da Associação Nacional de Transportes Públicos (ANTP), ao participar, do começo ao fim da assembléia, denotando o compromisso da Secretaria de Estado das Cidades com os direitos das pessoas com deficiência e também com uma política estadual de mobilidade viária, chamando a atenção para o Plano Nacional de Redução de Acidentes e Segurança Viária para a Década de 2011/2020, que requer a construção de metas para os próximos 10 anos em Goiás.
Diante do exposto, espera-se que o 03 de dezembro seja lembrado pela população goiana como um dia de luta pelos direitos das pessoas com deficiência, por uma sociedade inclusiva, com dignidade e vida plena.

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Grupo Técnico de Trabalho da Comissão de Agricultura, Pecuária e Cooperativismo

*Artigo publicado no jornal "Diário da Manhã" em 03/11/2011

A Comissão de Agricultura, Pecuária e Cooperativismo da Assembléia Legislativa, composta de 14 parlamentares e presidida pelo deputado Francisco Jr., tem o papel de contribuir com a análise e o aperfeiçoamento da legislação e das políticas públicas referentes ao agronegócio, incentivar a apresentação de proposituras, fomentar novas idéias e promover ações integradas com diversos setores da sociedade, como escolas, faculdades, igrejas, associações, federações, sindicatos, ONG`s, etc.
Instituído o Grupo Técnico de Trabalho (em parceria com a SEAGRO, SEGPLAN, SECTEC, FAEG, SGPA, OCB, CEASA, AGDR, EMATER, AGRODEFESA, FETAEG, FAPEG, INEAA e FACIEG), o principal assunto desta Comissão neste momento é, sem dúvida, a questão da assistência técnica e da extensão rural, principalmente a partir do trabalho realizado pela EMATER – Agência Goiana de Assistência Técnica, Extensão Rural e Pesquisa Agropecuária, cuja reestruturação foi tema de algumas reuniões.
Diante disto e após convite, o Presidente da Agência, Sr. Luiz Humberto Guimarães, esteve com a Comissão e falou sobre os problemas que teve ao chegar à EMATER, com os recursos financeiros e logísticos muito aquém do necessário para um trabalho satisfatório, mas afirmou que no momento a sustentação política e administrativa já está adequada para esta fase de retomada, sendo que já chegaram novos veículos, computadores e técnicos em comissão, frisando que o quadro de servidores, embora excelente, ainda é pequeno e indica a necessidade de concurso e de um plano de cargos e salários, pois a alta rotatividade de profissionais entrava a formação técnica para o trabalho extensionista.
O aumento de quase 100% no número de municípios conveniados com a EMATER, neste ano, confirma a importância dos serviços oferecidos tradicionalmente por esta instituição, porém é preciso garantir técnicos suficientes para os escritórios locais.
A expectativa da Comissão é de que haja em Goiás, realmente, uma política capaz de organizar as interfaces do setor agropecuário, de modo a atender as necessidades de graduação e especialização de corpo técnico, de pesquisas e de desenvolvimento de parcerias em projetos multisetoriais, que fomentem o desenvolvimento socioeconômico das regiões rurais e dos produtores e garantam a satisfação da população consumidora, em termos de quantidade, qualidade, variedade e preço competitivo.
São altos os índices de inadimplência junto aos sistemas de crédito rural, que não fiscalizam o andamento dos processos produtivos e não oferecem assistência técnica. É consenso, entre os membros do GTT, o fato de que a agricultura familiar e os pequenos produtores de Goiás precisam de informações, de orientações técnicas e de monitoramento para a produção e a comercialização de seus produtos.
Sabe-se que muitos, exauridos diante da falta de orientações técnicas, de incentivos fiscais, da ocorrência de intempéries naturais, da falta de conservação de rodovias e estradas vicinais e da insuficiência na transmissão da energia elétrica, estão desistindo do trabalho na terra e arrendando seus terrenos para usineiros, o que a médio prazo pode significar alteração na oferta de alimentos e rompimento dos vínculos familiares com a terra, do que decorrem os altos preços dos alimentos e o êxodo rural.
O GTT – Grupo Técnico de Trabalho, imbuído de contribuir com o desenvolvimento socioeconômico sustentável de Goiás, sugeriu e a Comissão de Agricultura, Pecuária e Cooperativismo acatou, a realização de uma audiência pública, ainda neste ano, para esclarecimentos sobre a realidade e as perspectivas que o poder executivo tem para o setor agropecuário em Goiás.
Outras atividades estão sendo pensadas, no intuito de envolver toda a cadeia produtiva na discussão desta temática, preponderante para o desenvolvimento de uma sociedade sustentável.
Espera-se que a política agropecuária do Estado de Goiás venha a corrigir distorções que se arrastam neste campo fundamental da economia, seja desenvolvendo pesquisas e tecnologias, garantindo assistência técnica e extensão rural, fortalecendo as organizações dos produtores rurais, como associações e cooperativas, ou oferecendo incentivos fiscais, de acordo com as vocações territoriais.

Alexandra Machado Costa, Maurivan Siqueira e Sydnei Mello, servidores públicos.